Iniciativa pioneira em SC transforma o atendimento a vítimas graves
O sangue total repõe glóbulos vermelhos, plasma e plaquetas, essenciais para conter hemorragias graves e manter a oxigenação do organismo
Uma transfusão de sangue feita ainda no local de um grave acidente de trânsito foi decisiva para salvar a vida de Natália Correia, em Santa Catarina. Ela estava na garupa de uma motocicleta quando um ônibus invadiu a contramão e atingiu o veículo, em Florianópolis, em dezembro de 2023. Com múltiplas fraturas e a ruptura da artéria femoral — uma das principais responsáveis pela circulação das pernas —, Natália corria sério risco de morrer antes mesmo de chegar ao hospital. "Se não fosse o Sangue Total, eu não estaria viva", relembra.
A sobrevivência foi possível graças ao Programa Sangue Total Catarinense, que permite realizar transfusões durante o atendimento de emergência, ainda no local da ocorrência ou no transporte aeromédico. Diferentemente do soro, utilizado tradicionalmente nesses casos, o sangue total repõe glóbulos vermelhos, plasma e plaquetas, essenciais para conter hemorragias graves e manter a oxigenação do organismo. Hoje, o serviço está disponível nas bases aeromédicas de Florianópolis, Blumenau e Chapecó e já beneficiou dezenas de pacientes no Extremo Oeste do estado, tornando Santa Catarina uma referência nacional nesse tipo de atendimento.
Agora recuperada, Natália usa a própria história para defender a ampliação do programa em todo o país. "Torço para que esse serviço chegue a outros estados, porque muitas pessoas morrem antes de conseguir atendimento, e o sangue pode ser a diferença entre a vida e a morte", afirma. O pai dela, Lourivaldo Correia, também destaca a importância da iniciativa. "Foi esse procedimento que deu à nossa filha a chance de continuar viva. É um investimento que muda a história de famílias inteiras", diz.