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COLUNA

O elevador que está deixando as pessoas mais fracas

Por Luiz Otávio

Outro dia, vi uma pessoa esperar quase um minuto pelo elevador para subir apenas um andar. Enquanto isso, a escada permanecia vazia, ao lado.

Não havia pressa. Não havia limitação física. Era apenas o caminho mais fácil.

A cena parece banal, mas ela diz muito sobre a sociedade em que vivemos.

Nunca tivemos tantos recursos para economizar esforço. O portão abre sozinho, as compras chegam em casa, a escada virou rolante e o elevador substituiu alguns poucos degraus. A tecnologia trouxe conforto, e isso é uma conquista. O problema é que, junto com o esforço desnecessário, eliminamos também o esforço que fazia bem.

Durante milhares de anos, o ser humano não “praticava atividade física”. Ele simplesmente vivia. Caminhava, carregava peso, subia morros, agachava e levantava dezenas de vezes por dia. O movimento não era um compromisso da agenda; era parte da sobrevivência.

Hoje, passamos boa parte do dia sentados e, depois, tentamos resolver isso com uma hora de academia. O treino continua sendo importante, mas ele não consegue compensar completamente uma rotina construída para evitar qualquer movimento.

O corpo funciona de maneira simples: ele preserva aquilo que é usado e economiza aquilo que é abandonado. Quando deixamos de subir escadas, caminhar pequenas distâncias ou carregar algum peso, perdemos força sem perceber. Não de um dia para o outro, mas um pouco a cada escolha.

E talvez seja por isso que tarefas comuns começam a parecer difíceis com o passar dos anos.

A verdadeira força não é levantar muito peso na academia. É continuar levantando do chão sem ajuda aos 70 anos. É carregar as compras do mercado, brincar com os netos, viajar sem depender dos outros. Essa é a independência que todos queremos, mesmo sem falar sobre ela.

No fim das contas, a disputa nunca foi entre a escada e o elevador.

É entre o conforto imediato e a capacidade de viver bem no futuro.

Da próxima vez que você encontrar os dois lado a lado, lembre-se: talvez aqueles poucos degraus não fortaleçam apenas suas pernas. Eles representam uma pequena decisão de continuar usando um corpo que foi feito para se mover.

Às vezes, a diferença entre envelhecer com autonomia ou com limitações começa em escolhas tão pequenas que cabem entre um lance de escadas e a porta de um elevador.

Luiz Otávio
Luiz Otávio

Com anos de experiência transformando vidas, Luiz Otávio é personal trainer e instrutor na Academia AD3. Apaixonado por performance e bem-estar, também se destaca como atleta de natação do Clube 29. Aqui, ele vai compartilhar dicas valiosas para melhorar seus treinos, sua saúde e sua qualidade de vida. Fique ligado!

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