Pesquisa aponta que motoristas de app têm maior risco de endividamento
Segundo o estudo, motoristas com veículo próprio desembolsam, em média, R$ 5.566 por mês com combustível, manutenção, depreciação, seguros, tributos, alimentação e internet
Trabalhar mais de 10 horas por dia nem sempre é suficiente para fechar as contas de quem vive dos aplicativos de transporte. Um levantamento divulgado pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) aponta que motoristas enfrentam alto risco de endividamento devido aos custos da atividade, à renda instável e aos descontos aplicados pelas plataformas.
Segundo o estudo, motoristas com veículo próprio desembolsam, em média, R$ 5.566 por mês com combustível, manutenção, depreciação, seguros, tributos, alimentação e internet. Para quem utiliza carro alugado, o custo chega a R$ 5.706 mensais. Além disso, as plataformas podem reter entre 20% e 30% do valor das corridas e, em alguns casos, descontam diretamente empréstimos concedidos aos trabalhadores, aumentando o risco de inadimplência. Atualmente, mais de 1,7 milhão de brasileiros atuam por meio de aplicativos de transporte e serviços.
A pesquisa também questiona a ideia de que os motoristas são empreendedores independentes, apontando jornadas extensas e remuneração considerada insuficiente diante dos custos da profissão. Em resposta, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber, 99 e iFood, contestou o levantamento do TST, afirmando que o estudo não apresenta critérios metodológicos adequados. A entidade citou pesquisas do Cebrap e da Fundação Getulio Vargas (FGV), segundo as quais os rendimentos líquidos dos motoristas seriam maiores e a atividade contribuiria para reduzir o desemprego no país.