O livro "O Papa contra Hitler: A guerra secreta da Igreja contra o nazismo" escrito por Mark Riebling revela, com base em documentos secretos, arquivos do Vaticano e testemunhos de época, um outro lado da história da Segunda Guerra Mundial e a relação da Igreja Católica na figura do seu sumo pontífice, o Papa Pio XII na resistência ao regime nazista durante o período de guerra.
Ao contrário da imagem amplamente difundida de um Papa silencioso e passivo diante das atrocidades cometidas por Hitler, o livro apresenta uma figura astuta e estrategista que, apesar de permanecer em silêncio, trabalhava nos bastidores contra o ditador alemão.
Pio XII, ainda que tenha adotado um tom neutro em seus pronunciamentos públicos após a retaliação de Hitler contra a igreja e comunidades católicas depois da publicação da sua carta encíclica Mit brennender Sorge (do alemão, Com ardente preocupação), na qual condena o nacional-socialismo e a sua ideologia racista, esteve ativamente envolvido em uma rede de espionagem e conspirações contra o Terceiro Reich.
Ele articulou, contando com o apoio de padres, espiões e membros da resistência alemã, inclusive do alto escalão militar, uma tentativa de derrubar Hitler e negociar a paz com os Aliados. O livro detalha como essa operação secreta foi organizada, os dilemas éticos enfrentados pelo Papa e o papel crucial da Igreja nos bastidores do conflito.
O Papa contra Hitler é uma leitura indispensável para quem se interessa pela Segunda Guerra Mundial, história da Igreja, espionagem e política. Riebling combina investigação jornalística com narrativa de suspense, entregando uma obra que recontextualiza um dos personagens mais polêmicos do século XX. Ao final, o leitor não apenas conhece os bastidores da resistência católica ao nazismo, mas também é convidado a repensar o papel da neutralidade, da estratégia e da fé em tempos de horror.
Se existe alguém que marcou uma geração, esse alguém foi João Paulo II. Com a simplicidade, generosidade e autenticidade que lhe eram peculiares, o Peregrino do Amor conseguiu ter um dos pontificados mais longevos e frutíferos em uma época marcada por guerras, lutas sociais e avanços tecnológicos.
Ele nasceu na Polônia em 18 de maio de 1920, sendo batizado com o nome de Karol Józef Wojtyła, sendo o mais novo de três irmãos. Seu pai possuía o mesmo nome e era oficial do exército polonês, e sua mãe se chamava Emilia Kaczorowska. Durante a gestação, sua mãe teve diversas complicações, tendo sido até mesmo aconselhada a interromper a gravidez. Apesar de tudo, em um gesto de fé e amor pelo seu filho, Emilia opta por manter a gestação e dá à luz ao seu caçula.
Sua mãe faleceu apenas 9 anos após o nascimento do pequeno Karol e 3 anos depois, o seu irmão mais velho, Edmund, que era médico, acabou infectado por escarlatina pós cuidar de doentes durante uma epidemia. Edmund seria lembrado para sempre por seu santo irmão como um “mártir do dever”. Aos 21 anos de idade faleceu o seu pai, com quem ele aprendeu sobre coragem, honestidade e, sobretudo, o amor a Virgem Maria.
E mesmo com todas as perdas, o amor que ele recebeu de sua família o movia e alimentava para enfrentar os desafios que a vida lhe apresentava, como a ocupação nazista da Polônia onde, para driblar a opressão do regime, precisou trabalhar em uma pedreira e em uma indústria química para evitar que fosse deportado para a Alemanha.
Durante esse período, ele testemunhou de perto os horrores da guerra e pode ver as profundas marcas deixadas na sua terra natal, tendo conhecido diversas histórias de sofrimento como a de uma jovem que salvou da fome após sair de um campo de concentração e de outra que foi vítima dos experimentos nazistas.
Foi também durante a ocupação do seu país que Karol entrou clandestinamente para o seminário em 1942, tendo aulas secretamente na residência do arcebispo de Cracóvia, capital da Polônia, sendo ordenado padre 4 anos mais tarde. Durante 12 anos conciliou a sua vida presbiteral com os estudos e licenciatura de teologia e ética social. Doze anos após ser ordenado, se tornou bispo da Cidade de Ombi e bispo auxiliar de Cracóvia. Em 1964 tornou-se Arcebispo de Cracóvia e foi nomeado cardeal por Paulo VI em 1967.
Por ser cardeal, podia participar da escolha dos pontífices da Igreja. Foi então que em 16 de outubro de 1978, após a morte do Papa João Paulo I, foi escolhido entre todos os cardeais para assumir o papado. A escolha do cardeal Karol foi a primeira escolha em cerca de 450 anos de um papa não italiano para o pontificado. Em sinal de humildade e continuidade, escolheu seguir os passos do seu antecessor que ocupou a cátedra de Pedro por pouco tempo, optando pelo nome João Paulo II.
Fez do Evangelho e do amor a sua maior arma, mantendo um discurso conciliador e pacificador, apesar de manter forte a sua defesa dos princípios difundidos por Jesus. Defendeu ferrenhamente os valores da família, liberdade e direito à vida, além de ter criado aquilo que se chamou Teologia do Corpo, que defende a dignidade de todo ser humano dentro do projeto de amor de Deus por cada um.
Em 13 de maio de 1981, sofreu um atentado em meio à praça São Pedro, tendo atribuído a sua sobrevivência ao atentado a Nossa Senhora, a quem honrou desde o início de seu papado, tendo como lema a frase “Totus tuus”, em português, “todo teu, Maria”.
Durante o período em que esteve à frente da Igreja Católica, João Paulo II criou as Jornadas Mundiais da Juventude, escreveu 14 encíclicas, organizou 15 assembleias do Sínodo dos Bispos, nomeou 231 cardeais, beatificou 1338 pessoas e canonizou 482 santos, tendo deixado a sua marca na história da cristandade.
Em seus últimos anos de vida, lutou bravamente contra o Parkinson e entrou para a eternidade em 2 de abril de 2005. Em seu funeral, milhões de fiéis se reuniram em Roma para o último adeus ao papa, ao som de “Santo Súbito!”, ou seja, “santo imediatamente!”.
Mesmo após tantos anos, o seu legado segue vivo, tanto nas Jornadas Mundiais da Juventude, criadas por ele, quanto em todas as paróquias e comunidades que o tem como padroeiro. Em todo o seu pontificado, viajou muito, o que o garantiu o título de Peregrino do Amor, tendo visitado 129 países e repetia sempre o mesmo gesto: se inclinava e beijava o chão daquele lugar que o recebia. Sem receio, sem distinção e sempre com um sorriso no rosto, João Paulo II levou a Palavra de Deus não apenas através das suas palavras, mas também com os seus atos.
"Tempos de Tormenta" é um drama histórico que retrata dois momentos cruciais da vida de Winston Churchill, sua atuação decisiva como primeiro-ministro britânico durante a Segunda Guerra Mundial e, em contraste, sua surpreendente derrota nas urnas logo após o fim do conflito. Interpretado magistralmente por Brendan Gleeson, o filme acompanha Churchill não apenas como o líder carismático e incansável que enfrentou a ameaça nazista, mas também como o homem vulnerável e introspectivo que lidou com a rejeição política após a vitória.
A narrativa intercala cenas de guerra, discursos emblemáticos e bastidores do poder com momentos de sua vida pessoal, especialmente sua relação com a esposa Clementine, vivida no longa por Janet McTeer. O filme oferece um olhar íntimo e político sobre um dos personagens mais marcantes do século XX cuja retórica e coragem foram decisivas para o destino da Europa.
Esse é um filme sólido e envolvente, sustentado principalmente pela atuação poderosa de Brendan Gleeson, que inclusive lhe rendeu o Emmy de Melhor Ator. A produção da HBO é cuidadosa nos detalhes históricos, figurinos e ambientação, trazendo um retrato digno da grandiosidade do personagem que interpreta.
Um dos méritos do filme é abordar não apenas o triunfo de Churchill na guerra, mas também a humilhação política que se seguiu. Essa dualidade entre o herói nacional e o político derrotado enriquece a narrativa e humaniza o mito. O roteiro equilibra bem os momentos épicos e os mais íntimos, oferecendo uma visão multifacetada do líder britânico.
Quem se interessa por história, política e biografias intensas com certeza precisa assistir ao filme. "Tempos de Tormenta" não é apenas um retrato de um líder em tempos extremos, mas também uma reflexão sobre a efemeridade do poder e a complexidade dos grandes homens.
Poucos nomes na literatura mundial carregam tanto prestígio e fascínio quanto o de Agatha Christie. Conhecida como a “Rainha do Crime”, a escritora britânica construiu uma carreira brilhante ao longo do século XX, deixando um legado impressionante de romances policiais, peças teatrais e personagens icônicos que moldaram para sempre o gênero do mistério.
Mas por trás das reviravoltas engenhosas de seus livros, havia uma mulher enigmática, marcada por momentos de glória e sombras, que viveu com intensidade e mistério. Dentro e fora das páginas.
Agatha Mary Clarissa Miller nasceu em 15 de setembro de 1890, na cidade litorânea de Torquay, no sul da Inglaterra. Criada em uma família da classe média alta, recebeu uma educação bastante liberal e teve acesso a livros desde cedo. Embora não frequentasse a escola tradicional na infância, sua mãe a incentivou a desenvolver o gosto pela leitura, especialmente por histórias de fantasia e aventuras.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Agatha trabalhou como enfermeira e, mais tarde, como assistente de farmácia, o que lhe proporcionou um conhecimento prático sobre substâncias químicas e venenos. Esse saber técnico viria a ser essencial na construção dos seus futuros enredos, que muitas vezes envolviam mortes misteriosas por envenenamento.
Seu primeiro romance, O Misterioso Caso de Styles (1920), apresentou ao mundo o icônico detetive belga Hercule Poirot. A obra chamou atenção por sua originalidade e pela forma como explorava os elementos clássicos do quem foi o culpado? A partir daí, Agatha Christie deu início a uma carreira literária prolífica e bem-sucedida.
Durante as décadas de 1920 a 1970, ela publicou mais de 80 romances policiais, além de contos e peças de teatro. Criou personagens memoráveis como Miss Marple, a simpática e astuta velhinha que desvendava crimes em pequenos vilarejos, e, claro, continuou desenvolvendo as aventuras de Hercule Poirot.
Seu estilo se notabilizou pela estrutura engenhosa, repleta de pistas falsas, revelações inesperadas e finais surpreendentes. Obras como “Assassinato no Expresso do Oriente”, “E Não Sobrou Nenhum” e “Morte no Nilo” são verdadeiros clássicos da literatura policial e ainda hoje cativam leitores em todo o mundo.
Agatha também brilhou nos palcos. Sua peça A Ratoeira estreou em 1952 e tornou-se a produção teatral com maior tempo de exibição contínua da história, em cartaz em Londres por mais de 70 anos.
Além disso, ela escreveu sob o pseudônimo Mary Westmacott, com o qual publicou romances de cunho mais romântico e psicológico, revelando uma faceta mais intimista da autora, longe dos crimes e detetives.
Agatha Christie foi condecorada com o título de Dame do Império Britânico em 1971, em reconhecimento à sua contribuição para a literatura. Quando faleceu, em 12 de janeiro de 1976, aos 85 anos, deixou um legado extraordinário: seus livros foram traduzidos para mais de 100 idiomas e venderam mais de 2 bilhões de cópias, sendo a autora mais vendida da história, atrás apenas da Bíblia e de William Shakespeare.
Sua obra continua a ser adaptada para o cinema, TV e teatro, alcançando novas gerações. Recentemente, o diretor Kenneth Branagh trouxe para as telonas clássicos como Assassinato no Expresso do Oriente e Morte no Nilo para o público contemporâneo.
Agatha Christie não apenas reinventou o romance policial, mas também redefiniu o papel da mulher na literatura de suspense. Com sua mente afiada, senso de ironia e domínio da narrativa, ela criou mundos envolventes e intrincados que resistem ao tempo. Mais do que autora de mistérios, foi ela própria um mistério e talvez seja justamente isso que a torne tão fascinante.
Ler Agatha Christie é mais do que seguir pistas até o final, é mergulhar na genialidade de uma mente que nunca deixou de surpreender.
A Netflix revelou recentemente o primeiro trailer de Os Donos do Jogo, o novo filme original da plataforma inspirado no Jogo do Bicho, tradicional jodo de azar que movimenta milhões de reais, apesar de ainda ser uma contravenção. A produção marca um passo ousado da plataforma: trazer para o catálogo brasileiro uma narrativa de máfia com sotaque carioca e uma estética própria.
O longa inaugura um terreno até então pouco explorado na Netflix Brasil. A criação é de Heitor Dhalia, conhecido por DNA do Crime, em parceria com Bernardo Barcellos, que também assina o roteiro, e Bruno Passeri. Já o elenco possui nomes como: André Lamoglia, Chico Diaz, Juliana Paes, Mel Maia, Xamã, Bruno Mazzeo, e Stepan Nercessian.
No centro da narrativa, quatro famílias disputam o comando do Jogo do Bicho no Rio de Janeiro, em uma luta que mistura tradição, violência e ambição. Um enredo que promete prender o público do começo ao fim, costurando drama familiar com a tensão de um império clandestino. Os Donos do Jogo estreia no dia 29 de outubro e, até lá, o trailer já adianta que vem por aí uma produção de tirar o fôlego.

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