Mesmo 80 anos após o final da Segunda Guerra Mundial, a história de como um homem conseguiu tomar toda uma nação e criar uma máquina de guerra nefasta, varrendo as fronteiras da Europa e assassinando milhões de cidadãos ainda é tema de muitas produções, sejam elas ficcionais ou documentais.
E Hitler e o Nazismo: Começo, Meio e Fim é uma dessas produções documentais que se debruça sobre a história da ascensão e queda do Nazismo, até os Julgamentos de Nuremberg, para contá-la sem rodeios. A produção se baseia em 35 horas de filmagens inéditas do julgamento na cidade alemã, além de contar com a perspectiva do jornalista americano William Shirer, que cobriu os julgamentos e se tornou uma importante fonte primária sobre o julgamento dos homens culpados pelo holocausto.
Na série, além das gravações em áudio, são apresentadas filmagens reais dos juízes e réus, relatos de testemunhas, imagens de arquivo e documentos que demonstram a participação de cada um dos que ali estavam sob julgamento em todas as atrocidades cometidas pelo regime do Reich.
A série foi criada para os mais jovens e foca em mostrar como homens comuns são capazes de produzir tamanha atrocidade através da criação de uma verdadeira máquina de assassinato tão vil que ceifou a vida de milhões de pessoas inocentes: judeus, ciganos, padres, freiras, comunistas e socialistas e pessoas “indesejadas”. Os 6 episódios de aproximadamente uma hora estão disponíveis na Netflix para você assistir e ter o desejo de se aprofundar mais na história. Porque, como diz o aforisma, quem não conhece a própria história está condenado a repeti-la.
A Netflix popularizou a estratégia de lançar todos os episódios de suas produções de uma só vez, mas hoje começa a sentir o custo dessa escolha. O buzz gerado por esse modelo tende a durar muito menos do que aquele criado por séries lançadas semanalmente. Não por acaso, a própria plataforma passou a testar novos formatos, dividindo temporadas e lançando partes dos episódios em datas diferentes para tentar prolongar a conversa em torno de seus títulos.
Enquanto isso, a HBO segue apostando no que sempre fez de melhor: séries bem produzidas, lançamentos semanais, engajamento orgânico impulsionado por criadores de conteúdo e uma audiência que associa o selo HBO a qualidade e prestígio. Esse modelo não apenas mantém o interesse por mais tempo, como também fortalece a percepção de evento em torno de cada episódio.
Diante da possível tentativa da Netflix de adquirir a Warner e, consequentemente, a HBO, surge a dúvida sobre o futuro desse cenário. Veremos uma mudança profunda na estratégia, com uma padronização dos modelos, ou tudo continuará como está, com a Netflix fragmentando lançamentos e a HBO preservando o formato semanal que sustentou a sua relevância cultural até aqui?
O Cavaleiro dos Sete Reinos já chegou e, aos poucos, vamos sendo conduzidos pela história de Dunk e Egg através de Westeros. A série consegue o mérito de expandir o imaginário desse universo, assim como House of the Dragon, e de contribuir para a construção de uma franquia de séries originais sólidas, com um público fiel e engajado.
Game of Thrones foi um fenômeno mundial que arrebanhou uma multidão de fãs. Só não alcançou um patamar ainda mais alto porque, após o esgotamento do material dos livros, a narrativa passou a seguir caminhos questionáveis, já não sustentados pela genialidade de George R. R. Martin, mas sim por decisões de produtores que pareciam mais interessados em encerrar rapidamente um projeto que já se estendia por mais de uma década.
Ainda assim, é inegável que Game of Thrones oferece uma experiência narrativa e visual única, mesmo com as controvérsias em torno de seu final. Já House of the Dragon segue trilha semelhante, com escolhas criativas discutíveis e alterações significativas em relação ao material original. O Cavaleiro dos Sete Reinos, por sua vez, tem a chance de trilhar um caminho próprio, já que não depende diretamente das outras produções e, apesar da ambientação de época, conta com um custo de produção menor, o que pode favorecer uma narrativa mais focada na trajetória dos personagens.
Resta agora acompanhar os episódios e conferir se a série conseguirá, de fato, firmar sua própria identidade dentro do vasto universo de Westeros.
Recentemente, uma cena chamou a atenção e se tornou viral na região e além das nossas fronteiras: durante a consagração eucarística, um padre abraça um senhor que se aproximava chorando pela perda do neto. O gesto, simples e profundamente humano, ocorreu justamente no momento mais sublime da celebração: a consagração.
O Padre Carlos Henrique, protagonista da cena, é vigário da Paróquia São Francisco de Assis, no bairro Monte Castelo, em Tubarão. Atuando há anos nesta comunidade, sua atitude não foi um improviso isolado, mas a expressão concreta de uma espiritualidade vivida no dia a dia. Diante de um irmão em sofrimento, ele encarnou o carisma de São Francisco: servir a Cristo vivo no irmão sofredor.
Talvez alguns tenham se escandalizado com o gesto, mas dificilmente compreenderiam que, naquele abraço, o próprio Cristo consolou e foi consolado. Consolou na figura do sacerdote que, em um momento tão sublime, age in persona Christi e teve, como o Senhor, a única atitude coerente: acolher e amar. E foi também acolhido o próprio Cristo, como Ele mesmo nos recorda no Evangelho: “Todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 40).
Aquele padre que, mesmo sem conhecer a origem exata da dor ou a história por trás das lágrimas, soube reconfortar uma alma ferida, partilhou do sofrimento do outro à maneira de Cristo, que, diante da morte de Lázaro, se comoveu profundamente e, como relata o evangelista, “pôs-se a chorar” (Jo 11, 35). O seu gesto ofereceu a todos nós um testemunho poderoso da caridade cristã na sua forma mais pura, concreta e prática.
Nos cabe, portanto, rezar pela alma do jovem que fez a sua Páscoa, bem como por toda a sua família e amigos, para que Deus possa confortar o seu coração e trazer a todos eles, a paz. Mas também rezar pelo Padre Carlos e por todos os sacerdotes que, cada um com o seu ministério, são sinais vivos da presença de Deus em nosso meio todos os dias.
Certamente, a indústria do cinema e da televisão nunca viveu um momento tão pulverizado e caótico quanto o atual. São streamings aos montes, diversas plataformas e incontáveis canais pelos quais podemos consumir as produções que desejamos. Nunca tivemos tanta liberdade para escolher o que assistir, como assistir e quando assistir.
Talvez justamente por isso, séries realmente marcantes tenham se tornado cada vez mais raras. Quando surge uma novidade capaz de gerar buzz, o entusiasmo costuma ser intenso, porém breve: em pouco tempo, todo o barulho se dissipa e dá lugar a um silêncio quase ensurdecedor. Não seria esse um reflexo da estratégia (na minha opinião, suicida) de lançar temporadas inteiras de uma só vez?
House of the Dragon, mesmo sem alcançar o impacto cultural enorme de Game of Thrones, conquistou o seu espaço ao manter relevância com episódios semanais. Podemos dizer o mesmo de Only Murders in the Building e de O Verão Que Mudou Minha Vida, que foram lançados em episódios semanais e conseguiram alcançar um sucesso considerável nos dias de hoje.
Talvez, em 2026, continuemos assistindo a esse cenário fragmentado, com muitas séries dispersas e poucos fenômenos duradouros. Neste cenário, a Netflix avança a passos largos rumo à hegemonia, especialmente diante da possibilidade de uma fusão com a Warner, que poderia levar franquias como Harry Potter e Game of Thrones para o seu catálogo.
Ano que se inicia promete novidades, mas a pergunta permanece: ele nos entregará algo realmente memorável ou apenas mais do mesmo entretenimento pasteurizado e vazio que tem marcado os últimos anos?

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