Certamente, a indústria do cinema e da televisão nunca viveu um momento tão pulverizado e caótico quanto o atual. São streamings aos montes, diversas plataformas e incontáveis canais pelos quais podemos consumir as produções que desejamos. Nunca tivemos tanta liberdade para escolher o que assistir, como assistir e quando assistir.
Talvez justamente por isso, séries realmente marcantes tenham se tornado cada vez mais raras. Quando surge uma novidade capaz de gerar buzz, o entusiasmo costuma ser intenso, porém breve: em pouco tempo, todo o barulho se dissipa e dá lugar a um silêncio quase ensurdecedor. Não seria esse um reflexo da estratégia (na minha opinião, suicida) de lançar temporadas inteiras de uma só vez?
House of the Dragon, mesmo sem alcançar o impacto cultural enorme de Game of Thrones, conquistou o seu espaço ao manter relevância com episódios semanais. Podemos dizer o mesmo de Only Murders in the Building e de O Verão Que Mudou Minha Vida, que foram lançados em episódios semanais e conseguiram alcançar um sucesso considerável nos dias de hoje.
Talvez, em 2026, continuemos assistindo a esse cenário fragmentado, com muitas séries dispersas e poucos fenômenos duradouros. Neste cenário, a Netflix avança a passos largos rumo à hegemonia, especialmente diante da possibilidade de uma fusão com a Warner, que poderia levar franquias como Harry Potter e Game of Thrones para o seu catálogo.
Ano que se inicia promete novidades, mas a pergunta permanece: ele nos entregará algo realmente memorável ou apenas mais do mesmo entretenimento pasteurizado e vazio que tem marcado os últimos anos?

Cultura
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