Ser bom de cama nunca foi sobre malabarismos mirabolantes ou sobre um manual de posições complexas. Também não é sobre resistência atlética, sobre gemidos ensaiados ou sobre cumprir expectativas alheias como se fosse uma performance digna de aplausos.
Ser bom de cama é, antes de tudo, ser bom de pele, de presença, de sintonia. É saber ler o corpo do outro sem pressa, sem roteiro fixo, entendendo que cada encontro é único. É sobre conexão – aquela que não se finge, que não se força, que simplesmente acontece quando há desejo verdadeiro e entrega mútua.
É sobre escuta. Não só a escuta dos sons que escapam entre os beijos, mas a escuta do que o outro gosta, do que o outro quer, do que o outro sente. Porque sexo bom não é o que impressiona, mas o que envolve, o que acolhe, o que faz o tempo parar.
É sobre presença. Porque nada mata mais o prazer do que um a ausência de quem está ali apenas de corpo, mas já se perdeu nos pensamentos, nas preocupações ou na vaidade de performar em vez de sentir.
Ser bom de cama é ser generoso sem deixar a si mesmo de lado. É se permitir descobrir, explorar, brincar. É entender que sexo não tem fórmula, mas tem química. E que nada, absolutamente nada, supera a combinação de desejo, respeito e entrega.
Porque, no fim, o melhor amante não é o que sabe mais técnicas. É o que sabe mais sobre sentir.
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Ser amante é trocar a vida por migalhas.
É viver à sombra de uma história que nunca será sua. É se alimentar de promessas vazias, de encontros clandestinos, de mensagens apagadas às pressas. É dormir e acordar com a esperança de um futuro que nunca chega, enquanto o presente escorre pelos dedos.
Ser amante é se enganar e, ao mesmo tempo, ajudar a enganar. É fazer parte de um jogo onde sempre há um perdedor – e, no fim, talvez todos percam. O traído, que desconhece a verdade. O traidor, que se afunda na própria mentira. E o amante, que aceita ser pedaço quando poderia ser inteiro.
É um papel que começa como aventura e se transforma em prisão. O desejo proibido, a adrenalina do segredo, tudo isso um dia dá lugar ao vazio de não ser prioridade. De esperar ligações que não vêm, de ver datas importantes passarem sem celebração, de ocupar apenas os espaços vagos na agenda e no coração do outro.
Ser amante é aceitar menos do que se merece. É permitir que o amor – ou o que se acredita ser amor – seja furtivo, escondido, incompleto. É viver na ilusão de que um dia será diferente, quando a verdade é que, se alguém realmente quisesse estar ao seu lado, já estaria.
A vida é curta demais para ser o segredo de alguém. Quem ama de verdade não esconde, não divide, não deixa para depois. Quem ama de verdade escolhe.
E quem se ama… não aceita ser amante.
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O sexo, em sua essência, é uma força grandiosa. É energia criativa, vital, um encontro que vai muito além do físico. É uma expressão da alma, um ato de conexão profunda. Mas, em algum ponto da história, esse poder foi deturpado, transformado em algo explorado e banalizado. E o resultado disso está à vista: uma sociedade que, em vez de respeitar a sacralidade do sexo, o utiliza como uma arma.
Quando entregamos nossa energia sexual de forma descuidada, quando deixamos que ela seja tratada como algo descartável, algo se perde dentro de nós. Ficamos desconectados do nosso próprio corpo, da nossa essência, e, pouco a pouco, essa desconexão nos deixa vulneráveis. Vulneráveis a padrões, a manipulações, a um sistema que lucra com a superficialidade e o vazio.
Não é por acaso que a indústria do sexo é uma das mais lucrativas do mundo. Há uma estratégia nisso: transformar o que deveria ser íntimo e sagrado em mercadoria. Bombardeiam-nos com imagens, ideais, comportamentos que normalizam a banalização dessa energia, tornando-nos consumidores de algo que, na verdade, já temos dentro de nós – mas que perdemos de vista.
Quando usamos o sexo sem consciência, ele deixa de ser força vital e se torna uma fraqueza. Nos desconectamos da nossa essência criativa, da nossa clareza e do nosso propósito. Mas o contrário também é verdadeiro: quando resgatamos o respeito por nossa energia sexual, algo poderoso acontece. Voltamos a enxergar o valor do que somos, a nos reconectar com quem somos de verdade.
Por isso, é preciso resistir ao que nos querem impor. Não se trata de negar o sexo, mas de resgatar sua profundidade. De lembrar que ele não é produto, nem distração, mas uma expressão sagrada da nossa força e da nossa conexão com o outro e com o universo.
Recupere sua energia. Proteja sua vitalidade. Porque aquilo que é sagrado não pode ser tratado como estratégia de lucro ou manipulação. O sexo é poder, e esse poder sempre esteve em suas mãos.
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Se perguntarmos quanto tempo o sexo dura, muitas pessoas pensarão no relógio, no número de minutos de penetração ou na quantidade de movimentos antes do clímax. Talvez esse seja um dos maiores erros ao falar sobre sexo: acreditar que ele pode ser medido em tempo, como se fosse uma tarefa com início, meio e fim.
Em 2018, uma pesquisa internacional revelou que homens e mulheres esperam que o sexo dure, em média, 25 minutos – mas só contando a penetração. O problema dessa resposta é que ela reflete mais expectativas do que realidade. E expectativas, como sabemos, podem ser traiçoeiras. A verdade é que o sexo começa muito antes do toque. Começa com um olhar, um sussurro, um sorriso no canto da boca. Começa na troca de mensagens ao longo do dia, na maneira como alguém te faz sentir desejado.
Sexo não é só ato, é atmosfera. É preliminar. E aqui está a mágica: preliminares não são o prelúdio do sexo. Elas são sexo. Cada beijo, cada carícia, cada palavra dita para acender os sentidos faz parte da experiência. Quando entendemos isso, paramos de limitar o sexo à penetração e ampliamos o prazer para além de qualquer cronômetro.
Além disso, existem inúmeros fatores que interferem na duração de uma transa: o cansaço, o nível de intimidade, a conexão emocional, o ambiente e até o momento de vida. Há noites em que o sexo é rápido e intenso, como um fogo que arde de repente e consome tudo em minutos. Em outras, é lento e profundo, um mergulho que parece não ter fim. E ambas as experiências são válidas.
Então, quanto tempo o sexo dura? Talvez a resposta certa seja: o suficiente para ser significativo. Porque o sexo não é sobre atender expectativas ou competir com estatísticas, mas sobre estar presente, conectado e entregue naquele momento. No final, o que importa não é a duração do sexo, mas a intensidade com que ele é vivido. Porque no prazer, assim como na vida, não é sobre quanto tempo algo dura, mas sobre o quanto ele transforma.
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Vivemos em tempos em que o sexo muitas vezes é tratado como um ato banal, um simples alívio ou diversão. Mas, na essência, ele é muito mais que isso. Sexo é troca, é conexão, é a entrega de uma energia tão sagrada que deveria ser guardada com o respeito que merece.
O corpo é templo, e o ato sexual é um ritual. Não é só pele na pele, é alma tocando alma. Quando nos entregamos a alguém, abrimos as portas de quem somos em nossa profundidade. Não há disfarces, não há máscaras; somos essências, e isso exige cuidado.
Cada vez que nos unimos a alguém, deixamos um pedaço de nós e levamos um pedaço do outro. Essa troca não se desfaz facilmente. É como se as energias se misturassem, carregando memórias e vibrações que nos acompanham, mesmo quando o encontro termina. Por isso, compartilhar o corpo com qualquer pessoa é também compartilhar nossa história, nossos segredos mais íntimos, nossas fragilidades.
Sexo não é apenas físico; ele tem um poder que toca dimensões emocionais, espirituais e até mesmo energéticas. E essa sacralidade não combina com descaso. Não combina com o efêmero. Porque, no fundo, cada um de nós sabe que a verdadeira conexão sexual só é plena quando acompanhada de respeito, confiança e entrega mútua.
Resguardar nossa energia é um ato de amor-próprio. Não se trata de fechar-se ao mundo, mas de escolher com quem compartilhar o que temos de mais puro. É honrar o nosso corpo, a nossa alma e tudo o que somos. Afinal, aquilo que é sagrado não deve ser oferecido a quem não entende seu valor.
Sexo é espiritual demais para ser banalizado. E talvez o segredo esteja em lembrar que, antes de abrir o corpo, precisamos abrir o coração e confiar que a energia que ali entra é tão respeitosa quanto a que estamos dispostos a oferecer.
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Sexóloga
Sexóloga, especialista em relacionamentos, professora de artes sensuais, ativista no combate à violência doméstica, colunista social e comunicadora de tv e rádio.