Medicamento inédito pode dobrar sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas
A pesquisa mostrou que o medicamento oral Daraxonrasibe praticamente dobrou a sobrevida de pacientes com a doença em estágio avançado, resultado considerado histórico pela comunidade médica.
Um estudo apresentado na sessão plenária da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), considerada o maior congresso de oncologia do mundo, trouxe uma das notícias mais promissoras dos últimos anos para o tratamento do câncer de pâncreas. A pesquisa mostrou que o medicamento oral Daraxonrasibe praticamente dobrou a sobrevida de pacientes com a doença em estágio avançado, resultado considerado histórico pela comunidade médica.
Segundo o oncologista de Tubarão, Dr. Kélio Silva Pinto, o estudo representa um verdadeiro divisor de águas no combate ao tipo de câncer que possui uma das menores taxas de sobrevida entre todos os tumores. Na pesquisa de fase 3, realizada com cerca de 500 pacientes de diversos países, aqueles que receberam o novo medicamento alcançaram sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses entre os tratados com a quimioterapia convencional. Além disso, a nova terapia retardou a progressão da doença e apresentou um perfil de segurança considerado satisfatório.
O Daraxonrasibe atua diretamente sobre a proteína RAS, presente de forma alterada em mais de 90% dos casos de câncer de pâncreas. Durante décadas, essa proteína foi considerada um alvo impossível de ser tratado por medicamentos. Para o Dr. Kélio, a descoberta abre caminho para uma nova geração de terapias-alvo, com potencial de beneficiar futuramente pacientes com outros tipos de câncer, como os de pulmão e intestino, já que a mesma estratégia está sendo estudada para essas doenças.
Apesar dos resultados animadores, o medicamento ainda não está disponível no Brasil e aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Enquanto isso, o especialista reforça que a quimioterapia continua sendo o tratamento padrão e alerta para a importância do diagnóstico precoce. Sintomas como perda de peso sem causa aparente, pele e olhos amarelados, dor abdominal persistente e diabetes de início recente após os 50 anos devem ser investigados rapidamente, já que o diagnóstico em fases iniciais continua sendo a principal ferramenta para aumentar as chances de sucesso no tratamento.