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COLUNISTAS

10 voltas na quadra: castigo ou aprendizado?

20/05/2025 10h00 | Atualizada em 20/05/2025 08h40 | Por: Luiz Otávio

Recentemente me deparei com uma situação que gerou polêmica nas redes sociais: um garotinho não fez a tarefa da aula de Educação Física e, como consequência, o professor pediu que ele desse 10 voltas na quadra. Rapidamente, o caso viralizou. E como tudo hoje em dia, foi dividido entre os que acharam um absurdo e os que disseram: “tá certíssimo!”

Bom, se você está lendo essa coluna, já deve imaginar de que lado eu tô. Mas calma, antes de qualquer julgamento, deixa eu te explicar meu ponto de vista. Sou personal trainer, trabalho com educação do corpo, com esforço físico, com construção de disciplina. E pra mim, a atitude do professor não foi exagerada, foi educativa.

A verdade é que, hoje em dia, virou moda tratar qualquer esforço como punição. E isso não só enfraquece a educação física como disciplina, como também contribui pra uma geração que foge do desconforto o tempo todo. Educação física é aula. Não recreio e vamos começar por aí.

A aula de Educação Física tem objetivo, tem conteúdo, tem propósito. Não é só “brincar de queimada” ou “fugir do futebol”. Ela desenvolve coordenação motora, trabalho em equipe, noção de espaço, resistência física, além de ajudar a prevenir doenças ligadas ao sedentarismo.
Quando uma criança não faz a tarefa de matemática, ela recebe uma advertência, perde nota ou leva bilhete na agenda. Por que, então, quando o conteúdo envolve o corpo, a responsabilidade desaparece?

Fazer 10 voltas na quadra não machuca ninguém. Não é humilhação, não é tortura, não é castigo no sentido cruel da palavra. É só uma consequência física de uma escolha feita — e, cá entre nós, das mais leves. Tem treino que é bem mais puxado que isso, e ninguém morre por causa disso. Muito pelo contrário: o corpo agradece.

 

A tal da “geração Nutella” e o medo do esforço

Eu cresci ouvindo que “quem não aprende pelo amor, aprende pela dor”. E embora essa frase possa parecer pesada nos dias de hoje, ela ainda tem uma verdade: a vida ensina. Nem sempre da forma mais confortável.

O problema é que a nova geração foi ensinada a fugir de qualquer tipo de desconforto. Sente uma dorzinha? Já é motivo pra parar. Se frustra? Já quer desistir. Toma um “não”? Já se sente injustiçado.

E o mais curioso: muitos desses comportamentos vêm não das crianças, mas dos adultos que criam elas com medo de deixá-las “tristes”. Mas eu te pergunto: é melhor uma criança chateada por correr 10 voltas ou um adulto que não sabe lidar com nenhuma frustração na vida?

Movimento é remédio. E também é lição. Como personal, vejo isso todos os dias: gente que evita o esforço, que chega cheia de medo de suar, de sentir dor, de se cansar. E normalmente são adultos que, lá na infância, associaram esforço físico com castigo, punição ou vergonha.

Agora, olha que oportunidade o professor deu: ao invés de dar uma advertência fria ou apenas deixar passar, ele colocou o corpo em movimento. Ele mostrou que o corpo pode — e deve — ser usado pra ensinar. E talvez o que o garotinho aprendeu naquele dia vá muito além da lição da tarefa não feita. Talvez ele entenda que responsabilidade também envolve o corpo. Que esforço não mata. Que a vida cobra, sim, mas nem sempre de forma ruim.

 

Pra encerrar…

Antes de apontar o dedo pro professor, acho que a gente precisa olhar pra essa geração e se perguntar: estamos criando crianças preparadas pra vida real? Porque a vida vai cobrar. Vai ter esforço, vai ter desconforto, vai ter cansaço. E se a criança não aprende isso de forma leve e segura, na escola, com um professor por perto, vai aprender na marra, lá na frente, com boletos, frustrações e dores mais difíceis de curar.

Então sim, professor, continue pedindo voltas na quadra. Continue ensinando com o corpo. Continue mostrando que a educação física é tão séria quanto qualquer outra disciplina. E pra essa nova geração? Bora levantar do sofá, encarar o suor e entender que esforço é uma forma de respeito. Respeito pela aula, pelo corpo e pela vida.

 

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Suplemento não faz milagre. Quem faz é você

13/05/2025 09h30 | Atualizada em 13/05/2025 06h37 | Por: Luiz Otávio

Vamos direto ao ponto: tomar creatina sem treinar direito é igual colocar gasolina premium num carro sem motor. Não vai andar. Muita gente acha que suplemento é mágica, mas a real é que nem creatina, nem whey protein, nem o multivitamínico mais caro do mundo substitui o que realmente importa: consistência, treino bem feito e alimentação de verdade.

Sim, você precisa comer bem. Treinar bem. Dormir bem. E aí, talvez, suplementar.

 

Alimentação: a base de tudo

Se o seu prato vive cheio de industrializado, açúcar, fritura e refrigerante, mas você toma whey no pós-treino achando que tá “compensando”, sinto te dizer… você só tá jogando dinheiro fora.

Alimentação é o combustível do corpo. Carboidratos certos dão energia pro treino render. Proteínas ajudam na recuperação muscular. Gorduras boas são essenciais pra hormônios, pro cérebro, pra saúde em geral. E água, meu amigo… sem hidratação, nem músculo cresce.

Quer resultado no treino? Comece ajustando sua alimentação. E não precisa ser complicado. Arroz, feijão, frango, ovos, legumes, frutas — o básico funciona. Sempre funcionou.

 

Vitaminas e minerais: os bastidores do progresso

Pouca gente fala disso, mas sem micronutrientes o corpo não performa. Cansaço excessivo, queda de cabelo, unhas fracas, sono ruim, falta de foco… tudo isso pode estar ligado a uma simples deficiência de vitaminas ou minerais.

Vitamina D, complexo B, ferro, magnésio, zinco… são nutrientes que você pode até não ver, mas seu corpo sente falta. E se sente mesmo. Se a alimentação não estiver cobrindo essas necessidades, aí sim vale um suplemento. Mas adivinha? Primeiro, você precisa saber o que tá faltando — e não sair tomando qualquer coisa. Um exame de sangue resolve essa dúvida fácil.

 

Creatina: o rei da performance (e do mal entendido)

Criaram um mito em cima da creatina que já passou da conta. “Engorda”, “faz mal pro rim”, “é bomba”… tudo isso é lenda.

A creatina é um dos suplementos mais estudados do mundo. Ajuda na força, no ganho de massa magra, na recuperação e até na função cognitiva. E não, não é esteroide. É uma substância naturalmente produzida pelo nosso corpo e encontrada em carne e peixe (em pequenas quantidades).

Se você treina sério, quer melhorar seu desempenho e ganhar massa muscular, a creatina pode (e deve) ser sua aliada. Mas só se o básico estiver sendo feito.

Ah, e pra funcionar, tem que tomar todo dia. Não é só no dia do treino.

 

Whey protein: praticidade, não milagre

Whey não é poção mágica. É proteína em pó. Útil? Muito. Essencial? Nem sempre.

Serve pra facilitar a vida. Não tem tempo pra preparar uma refeição pós-treino? Um shake de whey resolve. Precisa bater a meta de proteína do dia e não aguenta comer mais frango? Tá aí o whey.

Mas se você acha que tomar whey vai te deixar trincado ou bombado sem esforço… melhor voltar umas casas. Sem treino pesado, sem alimentação certa e sem regularidade, ele não vai fazer nada além de virar um shake gostoso.

 

Em resumo: suplemento ajuda, mas quem faz o resultado é você

O que muda seu corpo não é o pote de suplemento no armário. É a repetição. É acordar cedo e treinar mesmo com preguiça. É resistir ao fast food quando você sabe que tem marmita na mochila. É dormir bem em vez de virar a madrugada no celular.

Treino, alimentação, descanso, hidratação, disciplina. Esse é o combo que transforma corpo e mente.

Suplemento entra como apoio — e só quando o básico tá no lugar.

No fim das contas, o segredo não tá no pote. Tá em você.
No seu comprometimento com o que realmente importa. Porque não existe suplemento melhor do que a constância. E quando você entende isso, os resultados vêm — no espelho, na força, na disposição e, principalmente, na confiança de saber que é você quem tá no controle.

Então, da próxima vez que pensar em suplemento, pensa primeiro: tô me alimentando bem? Tô treinando com vontade? Tô fazendo minha parte?

Se a resposta for sim, manda ver.
Mas lembra: o que transforma seu corpo não é o que você toma. É o que você faz — todos os dias.

“A força que nasce com uma mãe”

07/05/2025 10h00 | Atualizada em 07/05/2025 09h13 | Por: Luiz Otávio

Existe uma força que não se mede com pesos na academia, nem com repetições bem contadas. Ela nasce no instante em que uma mulher descobre que carrega outra vida dentro de si. É nesse momento que o corpo inicia sua transformação mais poderosa — e, com ele, uma nova mente e um novo coração.

O Dia das Mães é sempre um convite à reflexão. Entre flores, homenagens e almoços em família, às vezes esquecemos de olhar para a mulher por trás da mãe. Aquela que, antes de tudo, era filha, jovem, sonhadora… e que agora carrega nos braços ou no ventre um amor que desafia qualquer lógica.

E é aí que o treinamento físico entra com um papel muito maior do que estética ou performance. Para muitas mulheres, especialmente as grávidas ou as que acabaram de dar à luz, treinar não é apenas cuidar do corpo — é reencontrar a própria identidade.

 

Treinar durante a gravidez: coragem em movimento

Gravidez não é doença. É potência. E, com a liberação médica adequada, manter uma rotina de exercícios pode ser um divisor de águas na jornada da gestação. Mais disposição, menos dores, controle do peso, fortalecimento do assoalho pélvico e até mesmo redução do risco de complicações no parto. Mas talvez o maior benefício esteja na mente.

Quando uma gestante escolhe se movimentar, ela está dizendo para o mundo — e para si mesma — que continua no comando. Que mesmo com as mudanças, com os medos e com o cansaço, ela escolhe a ação. Escolhe se preparar, física e emocionalmente, para o maior desafio da sua vida.

O corpo muda. E a cabeça também. Depois da maternidade, muitas mulheres se olham no espelho e não se reconhecem. São olheiras, cicatrizes, seios doloridos, abdômens flácidos… mas também são olhos mais profundos, gestos mais firmes e um coração infinitamente maior.

Treinar nesse período é, muitas vezes, um resgate. Cada gota de suor carrega um pouco da mulher que ela era — e fortalece a mulher que ela está se tornando. E mesmo que o tempo seja curto, mesmo que o bebê chore no meio do treino, mesmo que a balança não desça como antes… cada passo vale a pena.

Porque o treino de uma mãe não é só físico — é um reencontro com a sua própria história.

 

Para todas as mães: o movimento é seu direito.

Ser mãe não significa abrir mão de si. E sim, há culpa. Há dias em que o cansaço parece vencer. Mas também há a possibilidade de ensinar, pelo exemplo, o valor do autocuidado. Porque quando uma mãe se cuida, ela não está sendo egoísta. Está mostrando para seus filhos que amor também se constrói com respeito por si mesma.

Neste Dia das Mães, celebre com carinho. Mas também com ação. Presenteie sua mãe — ou a si mesma, se for o caso — com movimento. Com saúde. Com tempo de qualidade. Mostre que ser forte não é só levantar peso. É continuar de pé, mesmo quando o mundo parece desabar. E se possível, com um par de tênis nos pés e a respiração firme no peito.

Afinal, toda mãe é, por natureza, uma atleta da vida.

 

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Quando a vida não facilita, a gente fica mais forte

29/04/2025 16h30 | Atualizada em 29/04/2025 15h50 | Por: Luiz Otávio

Nem todo obstáculo é visível. Nem toda batalha acontece diante dos olhos dos outros. Eu cresci sabendo que meu corpo carregava uma marca diferente — uma deficiência física que, para muitos, seria sinônimo de limitação. Mas nunca aceitei esse rótulo. Nunca me vi como alguém incapaz. Desde cedo, aprendi que dificuldades não definem ninguém. Elas apenas revelam quem você escolhe ser.

Hoje, sou personal trainer — apaixonado pelo movimento, pela superação, pelo progresso diário. Minha deficiência nunca me impediu de treinar pesado, de buscar evolução, de fazer exatamente aquilo que diziam ser impossível. Treinar o corpo sempre foi, para mim, uma metáfora para treinar a mente: a cada repetição, a cada gota de suor, eu mostrava pra mim mesmo que era maior que qualquer limitação imposta.

Mas essa história não é só minha. Cada pessoa carrega, de algum jeito, as próprias barreiras: físicas, emocionais, mentais. A verdadeira luta é interna — é contra as desculpas, contra a autossabotagem, contra a vontade de desistir. A deficiência mais perigosa é acreditar que não se é capaz.

Todos os dias, a vida me dá duas opções: Aceitar as circunstâncias ou desafiar os limites. Eu escolho desafiar. O maior peso que você vai levantar não é de ferro. É o peso da dúvida, da opinião dos outros, da expectativa que tentam colocar sobre você. E acredite: uma vez que você aprende a carregar esse peso, não existe obstáculo físico que te vença.

Superação não é sorte. Não é dom. É uma escolha diária — silenciosa, suada e, muitas vezes, solitária. Não escrevo isso buscando admiração. Escrevo pra quem precisa ouvir: você não precisa ser perfeito. Você só precisa não desistir. Se você tem um corpo, um coração que bate e um espírito que se recusa a aceitar limites, já tem tudo o que precisa para se superar.

A vida não vai facilitar. E tudo bem. Porque quem é forjado na dificuldade aprende a ser inquebrável. Então da próxima vez que a vida te desafiar, não recue. Levante a cabeça, firme o olhar e mostre do que você é feito. Quando a vida não facilita, a gente não chora. A gente fica mais forte. E ser forte é, no fim, o maior ato de liberdade que existe.

 

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Páscoa passou. E agora? Volta para o treino ou vira chocolate?

23/04/2025 15h40 | Atualizada em 23/04/2025 15h45 | Por: Luiz Otávio

Todo ano é a mesma coisa: chega a Páscoa, o povo some do treino, aparece só na terça-feira com a alma pesando mais que o estômago, e vem com aquele clássico: “Ah, professor… estraguei tudo.”

Calma. Vamos conversar.

Primeiro de tudo: você não estragou nada. A não ser que você tenha jogado seus tênis fora, quebrado o halter no meio e cancelado sua matrícula, nada tá perdido. O que rolou foi um final de semana fora da rotina. Só isso.

A galera tem essa mania estranha de tratar a alimentação como um campo de guerra: ou você tá 100% dentro, ou jogou tudo fora.
Mas saúde de verdade não funciona assim. Corpo não tem botão de “reset” nem “desliga tudo”. Ele entende contexto, repetição, constância.

Você exagerou? Show. Acontece.
Comeu chocolate? Bem-vindo ao clube.
Faltou treino? Quem nunca.
Agora, o que você vai fazer com isso? Vai usar como desculpa pra abandonar tudo ou vai encarar como um deslize pontual?

Porque, vamos ser sinceros: o problema nunca foi a Páscoa.
O problema é usar a Páscoa como justificativa pra entrar no modo “larguei mão”.
É passar a semana inteira comendo o que sobrou do ovo e dizendo que “segunda eu recomeço”.
É achar que precisa pagar pelos excessos com castigo: jejum, shake, detox, treino de duas horas.

Não precisa disso. O corpo não quer punição, quer direção.

Então o plano é simples:
    •    Volta pro treino. Mesmo sem vontade.
    •    Volta pra comida de verdade. Mesmo com o restinho do chocolate no armário.
    •    Volta a dormir direito. Beber água. Cuidar do básico.

Porque é o básico que funciona. Sempre foi. E sempre vai ser.

Agora, se você foi além da conta — meteu o pé, dançou em cima da jaca e ainda trouxe o baldinho de chocolate pro pós-feriado — tá tudo certo também. Só não inventa moda agora.

Não tenta compensar com dieta maluca ou ficar sem comer. Isso só vai deixar seu corpo mais perdido. Você não precisa apagar o que passou, só precisa seguir em frente.

E vamos combinar: um final de semana não tem o poder de destruir meses de esforço. Mas a culpa, a autossabotagem e o “deixa pra depois” têm.

Então bora combinar uma coisa?
Páscoa foi boa, você viveu, curtiu, comeu.
Agora a vida continua.
E o seu corpo — mesmo depois do chocolate — ainda merece cuidado, movimento e atenção.

Sem drama. Sem punição. Só responsabilidade.

Treino não é castigo. É autocuidado. E se sobrou um pedacinho de ovo aí, guarda ele pra um dia qualquer. Porque ser saudável também é poder comer um chocolate no meio da semana… sem culpa nenhuma.

Luiz Otávio

Exercícios físicos

Com anos de experiência transformando vidas, Luiz Otávio é personal trainer e instrutor na Academia AD3. Apaixonado por performance e bem-estar, também se destaca como atleta de natação do Clube 29. Aqui, ele vai compartilhar dicas valiosas para melhorar seus treinos, sua saúde e sua qualidade de vida. Fique ligado!

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