Ele quer que PF investigue de quem é a responsabilidade deste caso. O 1º Batalhão da PM afirmou que ação foi feita sem conhecimento do comando e que vai apurar conduta dos agentes.
O Padre Júlio Lancelotti, coordenador da Pastoral de Rua de São Paulo, disse que vai levar o caso da ação ilegal de policiais militares que obrigaram pessoas em situação de rua a sair de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, ao Ministério dos Direitos Humanos e Ministério da Justiça. O sacerdote quer que a Polícia Federal investigue de quem é a responsabilidade sobre o que aconteceu.
Cerca de 40 pessoas relataram terem sido agredidas por policiais militares e obrigadas por eles a sair da cidade caminhando na madrugada de terça-feira (31). Um vídeo mostra viaturas da PM escoltando o grupo , que foi abandonado no limite com Balneário Camboriú, às margens da BR-101.
A ação foi feita à revelia, sem conhecimento do comando, informou o 1º Batalhão da PM, responsável pelo policiamento no município.
O padre Júlio Lancelotti é conhecido como uma liderança nacional no combate à aporofobia – aversão a pessoas pobres.
"Tem alguém que financiou, alguém motivou isso. Não é uma coisa espontânea. Sete viaturas, com tantos policiais fardados em serviço de repente fazem isso. Isso é financiado por alguém, há em jogo grupos poderosos que querem fazer uma higienização da cidade considerada turísticas e tratar as pessoas em situação de rua como um lixo", disse o padre em entrevista à rádio CBN.
"Estamos aqui junto com vocês estarrecidos. No início, eu pensei que era o exército israelense. E aí fui ver que era a Polícia Militar de Santa Catarina com pessoas que são de rua. E isso é triste. Acontece em Santa Catarina, no Brasil, em São Paulo. É preciso que a Corregedoria da Polícia Militar de Santa Catarina investigue e que haja um alerta ao Ministério de Direitos Humanos e ao Ministério da Justiça, porque essa é uma prática comum das cidades. O exemplo mais antigo da história é quando a Rainha Elizabeth II veio ao Rio de Janeiro e deram um sumiço nos moradores de rua", continuou o padre.
Um homem que relatou estar junto com outras pessoas em situação de rua que foram agredidas por policiais militares e obrigadas a sair de Itajaí disse que o grupo foi alvo de pancadas e ameaças.
"Bateram em um monte de gente, e eles batem forte, com cassetete. Teve gente mesmo que ali no [bairro] Matadouro já saiu tonto. Teve um mesmo que deu até dó. Disseram ‘vou te quebrar mesmo’, jogaram no chão e tudo", declarou o homem, que preferiu não se identificar por medo de ameaças.
A Secretaria de Assistência Social de Itajaí fez o atendimento das pessoas após a ação dos policiais e confirmou que elas já eram conhecidas e cadastradas no município.
Segundo o 1º Batalhão da PM, não havia nenhuma operação oficial em curso e o fato será apurado mediante a um Inquérito Policial Militar (IPM). O órgão foi questionado pelo g1 e não informou, no entanto, se houve afastamento dos policiais envolvidos.