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Tubarão e outras 3 cidades da região estão na lista de áreas com maior risco de desastres naturais em SC

Levantamento do Tribunal de Contas apontou 100 municípios com maior risco de deslizamentos de solo e inundações

27/02/2024 16h21 | Por: Redação | Fonte: Folha Regional

Cerca de 3 mil áreas de 100 municípios do Estado têm maior risco de deslizamentos de solo e de inundações. A informação consta do levantamento realizado pelo Tribunal de Contas de Santa Catarina (TCE/SC) por solicitação do conselheiro José Nei Ascari, relator dos processos relacionados ao meio ambiente, à ocupação do solo e à prevenção de desastres e vice-presidente do TCE/SC.

Entre os 100 municípios, estão quatro da região da Amurel: Tubarão, Capivari de Baixo, Braço do Norte e Rio Fortuna. “O objeto em questão foi selecionado para fiscalização dentro de um contexto de atuação preventiva, propositiva e dialógica deste Tribunal de Contas”, afirmou, ao ressaltar que “o diagnóstico resultante do levantamento conseguiu reunir dados relevantes sobre a estruturação da política pública em questão”. 

O trabalho da Diretoria de Atividades Especiais (DAE) do TCE/SC foi feito por meio do envio de questionário aos 295 municípios catarinenses, em março de 2023 — sendo respondido por 284 (96%) —, e contou com dados do Serviço Geológico do Brasil. Teve como objetivo coletar dados e informações sobre o serviço de defesa civil municipal e verificar as providências que vêm sendo adotadas pelos municípios para prevenir e mitigar as consequências de desastres naturais geológicos e hidrológicos na vida da população, principalmente das pessoas mais desassistidas. 

Na sessão extraordinária híbrida desta quarta-feira, dia 21, o conselheiro Ascari falou sobre os fatores potencializadores dos impactos negativos, citando os efeitos do fenômeno El Niño, o adensamento populacional, a ocupação desordenada do território, a degradação ambiental, a falta de infraestrutura urbana e rural para prevenção e mitigação, e a ausência de planejamento e de implementação de ações de governança e de gestão para a redução de risco de desastres.  

Para ele, a prevenção e a mitigação dos riscos de desastres naturais são ações da mais alta relevância e devem figurar entre as prioridades das agendas dos governos e das instituições. “Torna-se primordial uma atuação governamental intersetorial, transversal e preventiva, visando reduzir as perdas de vidas e o número de pessoas vulneráveis afetadas, mitigar os impactos econômicos causados por eventos adversos, diminuir os impactos ao meio ambiente e construir infraestruturas e comunidades mais resilientes e sustentáveis”, defendeu o relator. 

Ausência de plano de contingência e simulações

As principais conclusões do levantamento foram apresentadas pelo coordenador de Auditoria Operacional e Financeira da DAE, auditor fiscal de controle externo Osvaldo Faria de Oliveira.

De acordo com a diretoria técnica e com base nas respostas dos municípios que possuem áreas de risco mapeadas, foram constatadas: ausência de órgãos de proteção e defesa civil formalizados em 13 deles, entre eles Braço do Norte; a ausência de Fundo Municipal de Proteção e Defesa Civil (Fumdec) em 49 municípios, ausência de Plano Municipal de Contingência (Plamcon) em 34 cidades, entre elas Rio Fortuna, e ausência de locais cadastrados para uso como abrigos em 31 cidades, como Rio Fortuna.

O levantamento ainda aponta que 79 municípios não realizam exercícios simulados conforme o Plamcon e que 55 municípios não têm canais de comunicação com as famílias que residem em áreas de risco, entre eles Tubarão, Braço do Norte, Capivari de Baixo e Rio Fortuna.

Tubarão, Braço do Norte e Capivari também aparecem na lista de municípios que, segundo o TCE/SC, não promovem fiscalização periódica das áreas de risco de desastres. Esses municípios e Rio Fortuna também não teriam revisado o Plano Diretor em conformidade com o Estatuto das Cidades.

Para o relator do processo, o resultado do levantamento é uma espécie de diagnóstico sobre como estão o planejamento, a execução e o gerenciamento da prevenção de desastres em áreas de risco nos municípios catarinenses. “O trabalho considerou as respostas enviadas pelas prefeituras e, como se trata de um levantamento, os gestores não têm a oportunidade de apresentar manifestação acerca das constatações”, acrescentou o auditor fiscal Osvaldo de Oliveira, ao informar que a DAE sugeriu a realização de auditorias nos municípios que possuem áreas de risco.  

Recomendações

Diante dos problemas evidenciados, o Pleno aprovou decisão com diversas orientações aos municípios com áreas suscetíveis a movimentos gravitacionais de massas e de inundações. A iniciativa busca o aprimoramento dessa política pública e de outras que estão relacionadas, de modo a evitar desastres e prejuízos ambientais, econômicos, políticos e sociais. 

De acordo com o conselheiro-relator, os dados obtidos poderão servir de instrumento para orientar as estratégias de atuações futuras não só do TCE/SC, mas de outros órgãos de controle, bem como subsidiar informações aos gestores e à sociedade. Aliás, foi aprovada a determinação à Diretoria-Geral de Controle Externo para que, em conjunto com as unidades de controle especializadas, avalie a pertinência e a oportunidade de realizar auditorias e/ou inspeções sobre as situações encontradas no levantamento. 

O conselheiro Ascari destacou que, em outubro de 2023 — mês em que a população catarinense sofreu com o grande volume e a intensidade das chuvas, que causaram alagamentos, inundações e deslizamentos —, Santa Catarina estava em primeiro lugar no ranking nacional de desastres naturais de origem hidrológica e geológica, conforme mencionado no site da Secretaria de Estado de Proteção e Defesa Civil.  

O resultado do levantamento será enviado para o governo do Estado, à Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil, aos municípios catarinenses, ao Ministério Público, à Assembleia Legislativa e à Universidade do Estado de Santa Catarina. A medida busca contribuir para a realização de pesquisas sobre o tema, a difusão do conhecimento, a formulação e/ou o aprimoramento de políticas públicas e a prevenção e mitigação das consequências de desastres naturais geológicos, hidrológicos e outros na vida da população catarinense.

Segundo o TCE/SC, iniciativas em anos anteriores já deram destaque ao tema. Em 2004, por exemplo, o Tribunal de Contas autuou um processo para realização de auditoria operacional com o objetivo de avaliar as ações governamentais de prevenção, de mitigação e de preparação para desastres naturais no âmbito estadual.

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