Caso envolvendo mudança de comportamento e lesão na orelha é investigado pela Polícia Civil e pela prefeitura.
Uma família de Jaguaruna afirma que suspeita que a filha, de apenas um ano, tenha sido agredida dentro de uma creche municipal. O caso está sendo investigado paralelamente pela Polícia Civil e por um processo administrativo aberto pela prefeitura.
A criança frequenta desde o início do ano a Escola Municipal Professora Cecília Ávila Schmitz, no bairro Garopaba do Sul. A mãe, que prefere não se identificar, relata que começou a notar sinais de negligência ainda nas primeiras semanas. “Ela sempre chegava com a fralda cheia de xixi. Isso aconteceu vários dias seguidos. Chegamos a pensar que podia ser adaptação”, conta.
Nos dias seguintes, segundo a família, a menina passou a apresentar mudanças bruscas de comportamento. “Ela sempre foi brincalhona e sociável, mas começou a chorar para ir à escola, me agarrava no pescoço, acordava de madrugada desesperada. Não era normal”, diz a mãe.
A situação se agravou no início de março, quando a mãe percebeu um machucado na orelha da filha ao buscá-la na creche. Ao questionar a direção, recebeu respostas divergentes de professoras — de possível picada de inseto a atrito causado por uma rede onde as crianças dormem. No fim de semana, ao simular que levaria a filha de volta à escola, a criança chorou novamente. “Perguntei como as professoras brincavam com ela e ela respondeu: ‘dodói, mamãe’”, relata.
Na segunda-feira seguinte, a família levou a menina ao posto de saúde. O atestado médico descreve o ferimento como compatível com lesão por compressão, podendo ter sido causada por unha ou objeto cortante. O caso foi comunicado ao Conselho Tutelar, mas, segundo os pais, nenhuma medida efetiva foi adotada. A família decidiu retirar a criança da creche e procurou a Polícia Civil, além de denunciar a atuação do Conselho Tutelar ao Ministério Público.
“Queremos apenas que isso não aconteça com outras crianças”, afirma a mãe.
A Secretaria de Educação de Jaguaruna informou que instaurou um processo administrativo para apurar o ocorrido. O secretário da pasta, Sandro Duarte, destacou que a unidade nunca registrou situações semelhantes e que a sindicância definirá se houve conduta irregular.
Em nota, a Polícia Civil afirmou que aguarda o resultado de um exame complementar do Instituto Geral de Perícias (IGP), que deve apontar se o ferimento foi causado por picada de inseto, queda ou outro tipo de impacto. “Até o momento, não há elementos que confirmem agressão”, informou a corporação.
As investigações continuam.