O conselho catarinense defende a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina como requisito obrigatório para o exercício da profissão.
A divulgação dos resultados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) e do 1º Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), nesta segunda-feira (9), revelou um cenário preocupante sobre a qualidade da formação médica no país. Os dados reforçam alertas que vêm sendo feitos por entidades médicas nos últimos anos quanto à expansão desordenada de cursos de Medicina e às fragilidades estruturais no ensino.
Dos 351 cursos de medicina avaliados em todo o Brasil, 107 receberam notas 1 e 2, consideradas insatisfatórias, e estarão sujeitos a sanções por parte dos órgãos reguladores.
Em Santa Catarina, duas faculdades obtiveram a nota mais baixa, enquanto um curso ficou sem conceito, por ter menos de 10 estudantes avaliados.
Para o Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina (CRM-SC), os resultados confirmam um problema estrutural. A autarquia avalia que a abertura indiscriminada de escolas médicas, sem critérios técnicos rigorosos e sem infraestrutura adequada, compromete a qualidade da formação e representa um risco à assistência prestada à sociedade.
Diante desse cenário, o CRM-SC defende a criação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina como requisito obrigatório para o exercício da profissão. A proposta prevê a realização de uma avaliação nacional antes da emissão do registro profissional, como forma de assegurar que apenas médicos devidamente capacitados ingressem no mercado de trabalho.