Utilizar a palavra holocausto é polêmico, mas nesse caso não há outra forma de explicar o ocorrido em Barbacena, Minas Gerais. Fundado em 1903 para acolher tuberculosos que buscavam os bons ares da região, a instituição se tornou hospital psiquiátrico e acolheu inúmeros indivíduos.
O local, junto com outros seis, fazia parte de um grupo de instituições psiquiátricas fundadas na região que recebeu a alcunha de "cidade dos loucos".
Durante décadas recebeu pacientes que alegadamente possuíam distúrbios mentais. As pessoas chegavam em trens, ficavam em situações insalubres e ainda por cima não tinham o mínimo necessário para a subsistência.
Além disso, técnicas antigas e nada ortodoxas de tratamento como eletrochoque e duchas escocesas sem nenhuma razão aparente. Estima-se que 70% dos internos do Hospital Colônia não possuíam diagnóstico de transtorno psicológico algum.
No ano de 1979 o psiquiatra italiano Franco Basaglia teve a oportunidade de adentrar as instalações e, depois de comprovar a forma como os pacientes eram tratados, comparou o local a um campo de concentração nazista.
Mesmo com toda a exposição que a fala do profissional trouxe e a repercussão da realidade do lugar, o seu fechamento só ocorreria anos mais tarde, na década de 1980.
Cerca de 60.000 pessoas morreram ali até o encerramento das atividades. Entre os mortos, aproximadamente 1.800 pacientes tiveram os seus corpos vendidos para faculdades de medicina.
A história dessa instituição pode ser conhecida em profundidade através do livro da jornalista Daniela Arbex intitulado Holocausto Brasileiro. Para quem tem pressa, pode assistir o documentário 'Holocausto brasileiro: a história do hospital colônia", atualmente disponível na Netflix.
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