Ser casada e ser sozinha não faz sentido.
Não deveria, ao menos.
Porque solidão não é estado civil.
É ausência de presença.
É dividir a cama e não dividir a vida.
É ter aliança no dedo e vazio no diálogo.
Há mulheres que dormem acompanhadas e acordam órfãs.
Órfãs de escuta.
Órfãs de colo.
Órfãs de parceria.
Casamento não é contrato de silêncio.
Não é morar junto e viver distante.
Não é estar “resolvido” no papel e abandonado no cotidiano.
Estar casada é ter com quem contar —
não apenas para pagar contas,
mas para dividir medos, sonhos, cansaços e risadas bobas.
Quando a mulher precisa ser forte o tempo todo,
decidir tudo sozinha,
segurar o mundo sem apoio…
algo está errado.
Muito errado.
A solidão dentro do casamento dói mais do que a solidão assumida.
Porque ela vem acompanhada de frustração,
culpa
e da pergunta que machuca:
“Como posso me sentir tão sozinha estando com alguém?”
Amor que não acolhe, não protege, não escuta,
não é amor — é ocupação de espaço.
Ser casada e ser sozinha não faz sentido.
Ou se constrói presença…
ou se constrói coragem.
Porque nenhuma mulher nasceu para ser sozinha
dentro de uma promessa feita a dois.
— Sibéle Cristina

Sexóloga
Sexóloga, especialista em relacionamentos, professora de artes sensuais, ativista no combate à violência doméstica, colunista social e comunicadora de tv e rádio.