O orgasmo é democrático, mas não é automático.
Ele não chega com cartão de ponto, não responde a grito de comando e definitivamente não aparece só porque alguém disse “agora vai”. Orgasmo não é micro-ondas: não funciona no modo “dois minutos e pronto”.
Ele é mais parecido com visita importante: precisa de clima, atenção e, principalmente, presença.
Tem gente que acha que orgasmo é meta. Como se fosse troféu de desempenho. Como se, no final da relação, alguém levantasse uma plaquinha: “Parabéns, atingiu o objetivo!”. E não é bem assim. Orgasmo não é tarefa cumprida. É consequência.
E das boas.
O mais curioso é que quanto mais você persegue, mais ele se esconde. Parece brincadeira de esconde-esconde do próprio corpo. A pessoa fica lá, mentalmente fazendo checklist:
— Luz apagada?
— Ângulo certo?
— Expressão convincente?
— Será que já devia ter acontecido?
Pronto. Foi embora.
Porque orgasmo não combina com ansiedade de performance. Ele gosta de entrega. De risada no meio do caminho. De intimidade que não precisa ser coreografada.
E vamos combinar: cada corpo tem seu GPS próprio. O que funciona para uma não necessariamente funciona para outra. E está tudo bem. O problema começa quando a gente compara bastidores com vitrine. Quando acredita que prazer tem roteiro fixo.
Não tem.
Tem autoconhecimento.
Tem comunicação.
Tem aquela conversa honesta que começa com: “Posso te dizer uma coisa?”
Aliás, orgasmo também é diálogo. Porque ninguém adivinha mapa de prazer. E fingir só ensina o outro a continuar errando com convicção.
E tem mais: orgasmo não é obrigação. Não é prova de amor. Não é validação de desempenho. É experiência. Às vezes intensa como fogos de artifício. Às vezes suave como maré subindo devagar.
O melhor orgasmo?
É aquele que acontece sem cobrança.
Sem personagem.
Sem pressa.
Quando o corpo confia, ele responde.
E quando responde… minha amiga… ele bate palmas por dentro.
E a gente aprende que prazer não é luxo.
É direito.

Sexóloga
Sexóloga, especialista em relacionamentos, professora de artes sensuais, ativista no combate à violência doméstica, colunista social e comunicadora de tv e rádio.