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COLUNISTAS

O sexo e suas consolações

07/03/2025 17h30 | Atualizada em 07/03/2025 16h18 | Por: Sibéle Cristina

“O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança.” A frase de Gabriel García Márquez soa como um suspiro resignado, desses que a gente solta quando percebe que, às vezes, é preciso se contentar com o que resta. Porque, de fato, quando o amor não chega — ou quando parte antes do tempo —, é no calor efêmero dos corpos que buscamos um remédio para a solidão.

Há quem condene isso como fraqueza, como se o desejo sem compromisso fosse um pecado imperdoável. Mas a verdade é que, em muitos casos, o sexo não é vilão: é anestésico. Não cura, mas adormece a dor por algumas horas. Não preenche, mas distrai o vazio com toques urgentes, com respirações descompassadas, com a ilusão breve de que a solidão está, pelo menos por aquela noite, do lado de fora da porta.

A questão é que o corpo tem fome de contato, mesmo quando o coração está exausto. E há dias em que a pele pede socorro, em que a ausência de afeto pesa demais, em que o silêncio do quarto parece zombar de quem dorme sozinho. É nesses dias que o sexo vira consolo: não pela intensidade do prazer, mas pela sensação de estar, ainda que por pouco tempo, acompanhado.

Márquez entendia isso — essa confusão entre amor e desejo, essa tentativa desesperada de usar lençóis como curativo para cicatrizes profundas demais. Talvez seja por isso que tantos personagens seus se percam em camas erradas, em abraços apressados, em beijos que queimam mas não aquecem. Eles não buscam amor, buscam um alívio qualquer. E quem nunca fez o mesmo que atire a primeira pedra.

Mas o problema do sexo como consolo é que ele exige sempre mais para saciar cada vez menos. Um abraço leva a outro, um nome desconhecido se perde antes da manhã, e a carência que parecia controlada volta ainda mais faminta. É como tentar matar a sede bebendo água do mar: quanto mais se bebe, mais a sede aumenta.

Isso não significa demonizar o desejo ou desprezar o prazer por si só. Muito pelo contrário. Significa apenas aceitar que o corpo é sábio, mas o coração é teimoso — e que, muitas vezes, ele disfarça a falta de amor com apelos urgentes de pele. O perigo é confundir calor com aconchego, suor com sentimento, presença com permanência.

Talvez a maior tristeza do sexo sem amor seja essa: ele lembra, a cada toque, aquilo que poderia ser e não é. Ele esquenta a cama, mas deixa o travesseiro frio. Faz companhia por algumas horas, mas devolve a solidão quando a porta se fecha. E, no fundo, todo mundo sabe que há vazios que não se preenchem com gemidos, só com palavras sinceras ao pé do ouvido.

Então, que o sexo seja vivido sem culpa, mas sem enganos. Que a gente saiba diferenciar o abraço que consola daquele que ama. Que possamos, um dia, descobrir que o verdadeiro consolo para a ausência de amor não é outro corpo, mas a paz de saber que, cedo ou tarde, o amor vai chegar — e aí, sim, o sexo deixará de ser fuga para virar reencontro.

 

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