Você não conversa mais.
Não me olha nos olhos.
Nem beija na boca.
E não, o problema não é a rotina, o cansaço ou o tempo.
O problema é mais silencioso: acabou a admiração.
Quando a admiração morre, a escuta se torna impaciente.
O olhar perde curiosidade.
O beijo vira formalidade — quando ainda existe.
A admiração é o que nos faz perguntar como foi o dia e realmente querer saber.
É o que faz a gente sorrir com a conquista do outro, mesmo quando a própria vida está pesada.
É o que sustenta o desejo depois que a paixão se aquieta.
Sem admiração, o amor vira convivência.
Vira acordo.
Vira hábito sem afeto.
A relação não acaba no grito, na traição ou na porta batendo.
Ela acaba quando o outro deixa de ser inspiração e passa a ser apenas presença.
Quando já não há vontade de encantar, nem esforço para permanecer interessante.
Amar é admirar em movimento.
É continuar vendo grandeza onde o mundo só enxerga rotina.
Quando não se conversa mais, não se olha nos olhos, nem se beija na boca…
não foi o amor que acabou primeiro.
Foi a admiração.

Sexóloga
Sexóloga, especialista em relacionamentos, professora de artes sensuais, ativista no combate à violência doméstica, colunista social e comunicadora de tv e rádio.