Ao menos 21 famílias teriam vivenciado situações parecidas de filhos que passaram pelas agressões ou testemunharam os episódios com coleguinhas
Duas professoras da EEB Bom Pastor, em Chapecó, foram afastadas das atividades após uma série de denúncias graves de violência física e psicológica contra alunos do 2º ano do ensino fundamental. As denúncias vieram à tona, na semana passada, por meio de um grupo de WhatsApp entre pais de estudantes. Segundo a Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina, um processo administrativo foi instaurado para apurar a conduta das profissionais envolvidas. Em nota, a pasta informou que uma equipe especializada realiza o acolhimento e a escuta dos alunos e familiares.
De acordo com o Portal NDmais, as denúncias vieram à tona após o relato das mães. Uma delas contou que o filho, de 7 anos, passou a apresentar mudanças de comportamento há cerca de um mês e meio. “Todos os dias ele relatava alguma coisa. Teve um dia que contou que a professora gritou muito alto com ele”, disse. Com o tempo, os relatos se tornaram mais graves. A criança afirmou que teria sido amarrada à cadeira com fita adesiva e empurrada durante a fila do recreio. Diante da situação, a mãe buscou outras famílias e encontrou histórias semelhantes vivenciadas na escola.
Outra mãe relatou o caso do filho, também de 7 anos e diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O menino teria apresentado falas preocupantes, como: “mamãe, eu queria morrer” e “mamãe, eu não queria ter nascido”. “Isso me doeu muito. Procurei a psicóloga dele, porque ele não ouve esse tipo de coisa em casa”, afirmou. A mãe também relatou episódios em que o filho chegou da escola com a roupa molhada de urina, o que aumentou a preocupação da família.
De acordo com os relatos reunidos em um grupo de mães, ao menos 21 famílias teriam vivenciado situações parecidas de filhos que passaram pelas agressões ou testemunharam os episódios com coleguinhas. Entre as denúncias, está a tentativa de colar a boca de uma criança com fita adesiva. “Aí fechou o quebra-cabeça. Perguntei para o meu filho e ele confirmou”, disse uma das mães. Conforme os depoimentos, as próprias professoras teriam admitido algumas das condutas, alegando que se tratavam de “brincadeiras”.
Outra mãe afirmou que a filha, também de 7 anos, contou que os alunos eram proibidos de ir ao banheiro durante as aulas. “A professora dizia que tinha que fazer nas calças. Se a criança não sentasse corretamente, tiravam a cadeira e ela tinha que escrever em pé”, relatou. A menina demonstrava medo constante. “Ela dizia que tinha medo de pedir para ir ao banheiro e acabava não pedindo”, completou.
O caso da escola Bom Pastor é investigado pela Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso, e segue em fase inicial de apuração. As famílias agora buscam justiça e aguardam o avanço das investigações.