O caso ocorreu na madrugada dessa segunda-feira (24), no Rio de Janeiro
O estudante universitário Igor Melo, de 31 anos, foi gravemente ferido a tiros por um policial militar reformado, que perseguia um suposto assaltante, no Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira (24). De acordo com informações da Polícia Militar e de amigos e parentes, Igor saía como passageiro de mototáxi do bar onde trabalha, no Bairro da Penha, quando começou a ser perseguido pelo carro de onde saíram os disparos.
No carro estava o policial militar reformado, que atirou em direção à moto depois que esposa acusou o condutor de ter roubado o celular dela. Igor foi atingido nas costas e a bala causou ferimentos em diversos órgãos: rim, baço, intestino e estômago. Ele foi levado ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, onde permanece internado em estado grave e sob custódia da polícia. O condutor da moto foi preso.
Manifestações
O caso é acompanhado por diversos órgãos de defesa dos direitos humanos. A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, disse que o ministério vai pedir esclarecimentos ao governo do Rio e às autoridades de justiça sobre a situação de Igor. "Queremos os nossos jovens negros vivos, em liberdade, não sendo alvos de injustiças e violências raciais", complementa a nota de Anielle.
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj prestou atendimento à família do estudante e também vai acompanhar as investigações e cobrar explicações da Polícia Militar sobre a conduta do policial aposentado responsável pelo disparo.
A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL) que preside a comissão, repudiou o episódio: "Quantas vezes mais vamos ter episódios de atirar primeiro e perguntar depois?” Igor também recebeu o apoio da Universidade Celso Lisboa, onde ele estuda Publicidade e Propaganda e também trabalha como inspetor. A instituição diz que seus advogados acompanham o caso, e que não há qualquer registro que desabone a conduta do estudante.
Já a casa de samba Batuq, de onde ele saía quando foi atingido, após mais um turno de trabalho como garçom, reforça que ele estava trabalhando, quando o assalto à esposa do policial militar teria sido cometido. "Até quando jovens negros serão “confundidos” e alvejados sem provas? Igor é trabalhador, não bandido!" diz a nota publicada nas redes sociais do estabelecimento.
Igor Melo sonha em se tornar jornalista esportivo e criou o canal Informe Botafogo com notícias sobre o clube carioca. O Botafogo se pronunciou sobre o caso, com uma nota na qual "deseja força e uma pronta recuperação ao torcedor, estudante e trabalhador" e também "cobra justiça e elucidação dos fatos". O clube informou que Igor participou de inúmeros atendimentos à imprensa "e atuou sempre com profissionalismo e respeito com atletas, funcionários e colegas de profissão."
Investigação
Em posicionamento mais recente, a PC do Rio diz que o caso é investigado pela 22ª Delegacia de Polícia da Penha e que Igor já foi ouvido. "Os agentes buscam imagens de câmeras de segurança e outros elementos que comprovem a real dinâmica dos fatos. Todas as evidências serão analisadas, a fim de apurar a conduta e a responsabilidade de todos os envolvidos, bem como os crimes que possam ter sido praticados", complementa a nota.
Já a Polícia Militar declarou que colabora integralmente com o trabalho de investigação da Polícia Civil e que o caso foi encaminhado à Corregedoria Geral da Polícia Militar, já que o homem que assumiu a autoria dos disparos é um agente aposentado.
Condutor
O vereador carioca Leonel de Esquerda (PT), que já conhecia Igor por causa da relação de ambos com o Botafogo, declarou que também acompanha o caso do condutor da moto, identificado apenas como Tiago, acusado de ter cometido o assalto. "Não tem prova suficiente. O Tiago também não tem antecedentes criminais, O Tiago também estava trabalhando desde cedo no aplicativo", afirmou o vereador.
De acordo com Leonel, advogados vão pedir à Justiça que a prisão de Tiago seja revogada. A plataforma 99 enviou nota em que "lamenta profundamente o ocorrido" e diz que mobilizou suas equipes especializadas para oferecer acolhimento ao passageiro e ao motociclista parceiro e seus familiares. "A empresa está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, se necessário", conclui o texto.
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