Proposta dos Estados Unidos inclui transferência de detentos, troca de dados de estrangeiros e novas medidas de cooperação contra o crime organizado.
A cooperação internacional no combate ao crime organizado voltou ao centro das discussões diplomáticas entre os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil. O governo norte-americano apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma proposta que prevê, entre outros pontos, que o Brasil receba em seus presídios estrangeiros capturados em território americano. A iniciativa faz parte de um pacote de negociações que deve ser discutido durante a próxima visita de Lula a Washington, prevista agora para abril.
De acordo com informações divulgadas pela imprensa nacional, o modelo sugerido pelos Estados Unidos segue o exemplo adotado por El Salvador, onde o presidente Nayib Bukele mantém presos estrangeiros em uma penitenciária de segurança máxima conhecida como Cecot (Centro de Confinamiento del Terrorismo). A proposta integra uma estratégia de cooperação internacional voltada ao combate de organizações criminosas que atuam em diferentes países.
Além da questão carcerária, o governo norte-americano também solicitou que o Brasil apresente um plano de enfrentamento às principais facções que operam no país. Entre os grupos citados estariam o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de outras organizações com atuação internacional. Washington também propôs ampliar o compartilhamento de dados sobre estrangeiros que buscam refúgio ou residência no Brasil, incluindo registros migratórios e informações biométricas.
As exigências surgiram como contraproposta a um plano de cooperação apresentado anteriormente pelo governo brasileiro, que inclui medidas como combate à lavagem de dinheiro envolvendo empresas de fachada nos EUA, bloqueio de ativos ligados a crimes cometidos no Brasil, reforço na fiscalização alfandegária para conter o tráfico internacional de armas e troca de informações sobre transações em criptomoedas usadas em atividades ilícitas. Apesar das negociações em andamento, integrantes do governo brasileiro indicam resistência a algumas propostas, especialmente à possibilidade de classificar facções brasileiras como organizações terroristas, o que poderia abrir margem para ações internacionais no país.