Chuvas causaram perdas significativas no meio rural na região. Em Jaguaruna, a água inundou uma plantação de tabaco, e agricultores tiveram de usar um barco para agilizar a colheita
Willian Reis/Folha Regional “Passei pela enchente de 74, mas não chega nem perto do que aconteceu agora em outubro. Nunca vi colher o fumo com auxílio de barco”, diz o agricultor Alípio Antônio Pereira. Aos 67 anos, ele e o filho Joeseo Rocha Pereira, de 31 anos, tentam recuperar a lavoura de tabaco plantada na localidade conhecida como Carioca, em Jaguaruna.
Em uma parte dos cerca de 10 hectares da família, o intenso volume de chuvas inundou a plantação e a alternativa foi procurar um pequeno barco para tentar salvar parte da produção que estava quase pronta para o início da colheita. “Nunca aconteceu de encher dessa forma. Foi algo inédito. Os guris tiveram a ideia de trazer uma canoa para encararmos a água. No começo eu não botei muita fé, mas a estratégia deu certo”, conta o fumicultor Joeseo Rocha Pereira.
Ele acompanha o pai na agricultura desde a infância e ficou assustado com o que aconteceu em sua propriedade. O fato inusitado foi registrado por Joeseo em um vídeo que viralizou nas redes sociais nos últimos dias. Ele e alguns ajudantes contratados, como o jovem Jonas de Souza Farias, de 23 anos, colocaram o barco no meio da lavoura e levaram cerca de uma semana para fazer a colheita, que geralmente é feita em dois dias. “Para não deixar o fumo se perder, meu pai teve a ideia de pedir o barco de um amigo dele de Içara emprestado. Fomos até lá buscar, compramos roupas de pesca, botas, e encaramos a água, que chegava na cintura. Até um peixe apareceu no local inundado”, comenta o jovem Jonas, que trabalha durante a colheita com Joeseo.
Com a ajuda do barco, a família conseguiu amenizar os prejuízos, porém, a perda da lavoura está estimada em cerca de R$ 40 mil. “No total tinha mais de 140 mil pés plantados e perdemos uns 30 mil, o que é quase uma safra inteira em outras propriedades. Sem falar nas doenças que aparecem agora. Como a planta continua no solo encharcado, apodrece a raiz e acabamos perdendo a folha”, explica Joeseo.
Mais de 10 pessoas dependem da safra do tabaco na propriedade para garantir a renda. A preocupação dos fumicultores é com a previsão de novas ocorrências de chuvas para os próximos dias. A água continua represada no local formando um verdadeiro rio em meio à plantação.
A família de fumicultores de Jaguaruna é uma entre centenas na região da Amurel que começam a contabilizar os prejuízos causados pelas chuvas dos últimos dias.

De acordo com o gerente regional da Epagri em Tubarão, Luiz Rodrigo Mota Vicente, as chuvas registradas nas duas primeiras semanas do mês de outubro trouxeram sérios impactos à região no meio urbano e rural. Além dos problemas estruturais com alagamentos de estradas e desmoronamentos registrados em Tubarão e em municípios vizinhos, o meio rural teve perdas significativas em várias cadeias produtivas na Amurel.
Conforme o gerente regional da Epagri, as lavouras temporárias, como o milho, arroz e soja tiveram prejuízos estimados em cerca de R$ 56 milhões. Os produtores também sofrem com a perda de estoques incluindo insumos e adubos usados nas propriedade, com mais de R$ 8,1 milhões. Na agropecuária, os prejuízos estão estimados em R$ 3,2 milhões. A olericultura foi afetada com danos de aproximadamente R$ 1,3 milhões, além de perdas no setor de gado leiteiro e benfeitorias, com impacto de R$ 200 mil.
Em Jaguaruna, um levantamento da secretaria de Agricultura do município estima um total de mais de R$ 4,7 milhões os prejuízos no setor. Produtores de arroz e mandioca foram os mais afetados. Foram mais de R$ 2,2 milhões de prejuízos nas áreas plantadas com arroz e mais de R$ 2,3 milhões na cultura da mandioca.
De acordo com o secretário Dirceu Sebastião Rodrigues, a prefeitura está disponibilizando algumas máquinas para ajudar os produtores a retomar os trabalhos nas áreas alagadas. “O que a prefeitura consegue fazer em casos de inundação de lavouras é ajudar com serviço de retroescavadeira para abrir canal e facilitar o escoamento da água. Os produtores que precisarem fazer o replantio das áreas perdidas com a enchente, a secretaria irá fornecer a plantadeira de milho, soja e mandioca e o trator sem custo, para ajudar um pouco nos problemas que tiveram”, afirma Dirceu.
Estimativa dos prejuízos no meio rural em alguns dos municípios mais afetados na Amurel
Tubarão – R$ 18 milhões (perdas nas lavouras de arroz, milho, mandioca, fumo, feijão; perda de cerca de 500 cabeças de gado, pastagem e hortaliças)
Jaguaruna – R$ 4,7 milhões (perdas nas lavouras de arroz, mandioca, fumo, hortaliças e pastagem)
Pedras Grandes – R$ 4 milhões (perda parreiras de uva e lavoura de tabaco)
Treze de Maio – R$ 4 milhões (perdas principalmente na produção de arroz e batata)
Rio Fortuna - R$ 4 milhões (perdas principalmente nas lavouras de tabaco)
Grão-Pará - R$ 1,5 milhão (perdas principalmente nas lavouras de tabaco)
Treze de Maio – R$ 4 milhões (perdas principalmente na produção de arroz e batata)
Prejuízo total na Amurel: R$ 74 milhões

Governo de SC anuncia pacote com medidas sociais e econômicas
O gerente regional da Epagri em Tubarão afirma que o governo do Estado está recebendo os relatórios dos municípios afetados pelas chuvas anunciou nesta segunda-feira, dia 23, um pacote de medidas para ajudar famílias e empreendedores catarinenses que sofreram prejuízos decorrentes das chuvas neste mês de outubro.
As ações do Programa Recupera Santa Catarina iniciam imediatamente ou no curto prazo e estão divididas em dois pilares: um pacote com 10 iniciativas de caráter social e outro com 8 medidas na área econômica. Serão investidos cerca de R$ 650 milhões no atendimento à população. Para atender as empresas e produtores rurais atingidos pelas recentes chuvas, o BRDE atuará em diversas frentes: tanto na repactuação de dívidas, quanto na concessão de novos recursos. Os programas disponíveis são: Refin Agro, R$30 milhões em postergação de operações e carência; Refin BNDES, R$35 milhões em postergação de contratos/parcelas; PRONAF e o Crédito Urbano, R$165 milhões para novas linhas de crédito.