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Praias de Jaguaruna: Litoral convive com falta de monitoramento

Com mais de 37 quilômetros de orla, cidade não conta com monitoramento permanente de um órgão oficial. Mas são frequentes os casos de animais mortos ou feridos que chegam às suas praias

Tubarão - SC, 23/11/2023 05h40 | Por: Redação | Fonte: Folha Regional

Tornou-se cada vez mais comum encontrar animais marinhos mortos, encalhados ou feridos nas praias. Baleias, botos, leões-marinhos, pinguins e até elefantes-marinhos são exemplos de espécies que se deslocam para o sul em diferentes estações do ano. Estes animais chegam cansados em função da rota que percorreram. Alguns até debilitados ou com doenças e viram atração entre moradores e banhistas. Curiosos tendem a filmar, mexer e, algumas vezes, correm risco de prejudicar o animal ou serem contaminados por vírus e doenças contagiosas.  

Nessas situações, surge a dúvida: quem deve ser acionado? Quem faz o monitoramento das praias? Em Jaguaruna, um dos municípios com maior extensão litorânea da região, com 37 quilômetros de praias, não há um órgão oficial que faça esse tipo de controle e acompanhamento.

“No momento não temos monitoramento rotineiro. Atualmente o IMAJ não dispõe de recursos financeiro e de pessoas para arcar com essa despesa, levando em consideração os 37 quilômetros de orla marítima”, afirma Caio Gomes de Souza, diretor do Instituto Municipal do Meio Ambiente de Jaguaruna (IMAJ).
Sem um órgão oficial responsável pelo monitoramento das praias, a Polícia Militar Ambiental (PMA) de Laguna presta suporte em alguns casos registrados em Jaguaruna.

O comandante da 3ª Companhia do 1° Batalhão da Polícia Militar Ambiental (BPMA), major Gilson Klein, explica que o órgão é responsável por fiscalizar e combater crimes ambientais e atende 20 municípios da região. Quando é acionado em Jaguaruna para ocorrências de encontro de animais marinhos, presta o primeiro suporte e busca apoio de órgãos próximos que façam o monitoramento. “A região de Jaguaruna acaba ficando desamparada. A Polícia Militar Ambiental não é um órgão de monitoramento, nós damos suporte e, quando acionados, vamos até o local e tentamos resolver a situação com órgãos parceiros, como o hospital veterinário da Unisul, da Unesc, ONG Educamar e PMP-BS da Udesc de Laguna”, explica o comandante.

Instituto Educamar auxilia no monitoramento, pesquisa e resgate nas praias

A instituição Educamar atua com monitoramento, pesquisa e resgate de fauna desde 2019, nos trechos entre Passo de Torres e Araranguá, sendo licenciada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e também pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

De acordo com a bióloga Suelen Santos, presidente da instituição, no decorrer do ano o trecho compreendido entre Balneário Rincão e Barra do Camacho conta com muitos acionamentos à instituição para atender animais vivos e debilitados. Entre eles, mamíferos marinhos, aves e répteis, com aumento de ocorrências de encalhes em determinadas épocas do ano, principalmente entre julho e novembro.

Ela destaca que os pesquisadores tentam auxiliar nas ocorrências nas praias de Jaguaruna, que não possuem monitoramento periódico. “Especificamente o trecho de Jaguaruna não é sistematicamente monitorado diariamente por motivos de logística, sobretudo, porque dificulta e demanda recursos para os deslocamentos. A instituição Educamar é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos. Por este motivo conta com convênios entre os órgãos ambientais municipais e estaduais para atuar com a atividade tanto de pesquisa, quanto de resgate. Conforme as possibilidades, atua em apoio ao atendimento de animais principalmente vivos debilitados em Jaguaruna”, explica a presidente.

Segundo o diretor do IMAJ, o município está em tratativas com a instituição para avaliar a possibilidade de um convênio para o monitoramento das praias.

Como proceder ao encontrar um animal marinho?

A bióloga e presidente da Educamar, Suelen Santos, explica que a melhor maneira de proteger o animal encontrado é evitar qualquer tipo de interação. Ao proceder dessa forma, a pessoa garante seu bem-estar e segurança, protegendo também o animal.

Qualquer procedimento que não seja executado por um profissional pode prejudicá-lo, por melhor intenção que se tenha. “É importante ressaltar que, ao encontrar animais marinhos na orla, vivos ou mortos, a população não se aproxime do animal, não o alimente e também não o empurre de volta para a água. Algumas espécies, como leões e lobos-marinhos, buscam a faixa de areia para descansar e posteriormente continuar os seus movimentos natatórios”, orienta.

Em seguida, a orientação é ligar imediatamente para os órgãos ambientais responsáveis. No caso de fauna marinha, acionar primeiramente o município em que o animal encontra-se encalhado.

O comandante da Polícia Militar Ambiental de Laguna destaca que a população pode registrar a ocorrência ligando para o 190.
“A orientação é que as pessoas não se aproximem desses animais e acionem a PM Ambiental, que fará o suporte e o encaminhamento aos órgãos responsáveis”, enfatiza Klein.

Cidasc monitora casos de gripe aviária

Recentemente foi diagnosticado em mamíferos marinhos e aves migratórias o vírus da H5N1 - Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP), também conhecida como gripe aviária.

Essa doença acometeu alguns espécimes marinhos em Santa Catarina. O primeiro caso confirmado foi registrado em uma praia de Garopaba, com a morte de um leão-marinho. A Cidasc orienta a população para evitar o contato direto com animais marinhos, especialmente os pinípedes (lobos e leões marinhos), que aparecem na costa e que também podem estar contaminados pela Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP).

Principais orientações

• Não se aproximar, alimentar ou tocar em animais marinhos

• Prevenir o contato de animais domésticos (exemplo: cães e gatos) com animais silvestres, evitando a circulação destes na beira da praia

• Se o animal estiver morto, avise a Cidasc pelo telefone 0800-644-9300 ou a Polícia Ambiental (190)

• Em caso de contato com animais marinhos suspeitos ou com carcaças, intensificar medidas de desinfecção e atentar para o aparecimento de sintomas respiratórios nos próximos 10 dias

• Em caso de suspeita, procurar atendimento médico mais próximo e informar sobre o histórico de exposição prévia

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