Quarta-feira, 08 de abril de 2026
Tubarão
34 °C
18 °C
Fechar [x]
Tubarão
34 °C
18 °C
GERAL

Laudo confirma afogamento como única causa da morte de jovem que morreu em rompimento de ponte pênsil

***

24/02/2023 20h01 | Por: Redação

Dois inquéritos foram instaurados pela Delegacia de Passo de Torres e pela Delegacia de Torres para investigar as causas do rompimento de um cabo da ponte pênsil que liga os dois municípios. O fato aconteceu na madrugada da última segunda-feira, dia 20. De acordo com a Polícia Civil, a estimativa é de que mais de 50 pessoas estavam sobre a ponte no momento do ocorrido e quase todas caíram no rio Mampituba. Brian Grandi, de 20 anos, morador de Torres, foi uma das vítimas e o único a morrer em decorrência do fato.

As investigações do lado catarinense estão sendo coordenadas pelo delegado Maurício Pretto, que está atualmente na Central de Plantão Policial de Araranguá e que também responde pela Delegacia de Passo de Torres. Com a confirmação da morte de Brian, o caso passou a ser tratado como crime de homicídio culposo, quando não há intenção em matar, mas por  imprudência, imperícia ou negligência, uma pessoa acaba tirando a vida de outra. A Polícia Científica já finalizou o laudo da causa da morte da vítima, confirmando apenas afogamento, sem nenhuma outra lesão causada pelo rompimento da ponte.

As primeiras informações colhidas pela Polícia Civil catarinense, de acordo com o delegado, apontam que a estrutura da ponte já apresentava sinais de necessidade de manutenções.

“O nível de corrosão de cabos estava acima do normal. A forma de ancoragem da ponte é diferente do lado de Passo de Torres em relação a Torres. Na parte catarinense, a ancoragem é no solo. Na parte gaúcha é em uma viga e foi ali onde ocorreu o rompimento. Grampos utilizados de forma incorreta não davam a tensão correta de cabos. Na última semana de dezembro, um barco colidiu na ponte e isso pode ter abalado de alguma forma a estrutura e mesmo assim a ponte foi liberada. Tudo isso está sendo investigado”, enumerou Pretto.

Outro problema encontrado pelas perícias já realizadas é a falta de dispositivos secundários de sustentação da ponte. “Se você usa um elevador e um dos cabos se rompe, ele não vai cair. Ele tem dispositivos secundários para sustentar o elevador. Se você vai fazer um rapel, você tem um cabo secundário que vai lhe sustentar em caso de acidente. A nossa visão é que a ponte pênsil deveria funcionar da mesma forma e não foi encontrado nenhum dispositivo de segurança”, contou o delegado.

As investigações buscam também encontrar documentos que atestem a capacidade da ponte. No local há uma placa sinalizando que a estrutura suporta até 20 pessoas. “Mas quem definiu isso? Os municípios, até então, não nos mostraram nenhum documento de engenharia ou um estudo que mostre que esta é a quantidade correta”, indagou.

Rio baixo e barcos salvaram pessoas

Na análise de Pretto a tragédia poderia ter sido ainda maior. Ele relata que no momento do rompimento do cabo da ponte, o nível do rio Mampituba era de aproximadamente quatro metros de profundidade, sendo que no dia seguinte chegou a sete metros devido às chuvas. Já foram ouvidas 35 pessoas, sendo que 30 delas relataram que chegaram a cair na água e outros auxiliaram nos salvamentos.

“Boa parte das pessoas que caíram na água sabiam nadar e conseguiram sair sozinhas. Barcos que estavam ancorados próximos da ponte também foram essenciais, porque neles tinham coletes que foram jogados para as pessoas. As condições do rio ajudaram outras pessoas a auxiliar quem caiu na água”, lembrou o delegado.

Não foi possível identificar o jovem Brian Grandi nas imagens recebidas pela Polícia Civil, mas as investigações apontam indícios de que a vítima estava no local na hora do episódio. “O rastreador do celular dele apontou para aquele local no momento da queda da ponte. A bicicleta dele estava amarrada próxima da ponte, no lado de Torres. Minutos antes da ponte romper, Brian estava com amigos em Passo de Torres, se despediu deles e teria ido atravessar a ponte para buscar a bicicleta. Então tudo leva a crer que ele estava, sim, sobre a ponte”, explicou Pretto.

Possíveis indiciados

As investigações, até então, apontam para o possível indiciamento de gestores públicos. “A municipalidade não responde por crime. Quem responde por crime são pessoas físicas. Então o objetivo da investigação é apontar a responsabilidade dos envolvidos no caso. Quem é responsável pela manutenção da ponte? Quem autorizou o uso da ponte nas condições que estavam? Qual a culpa de cada gestor?”, acrescentou o delegado.

Ele não acredita em indiciamento de pessoas que estavam sobre a ponte. “Apesar dos vídeos mostrarem as pessoas balançando a ponte, pulando, não vejo nada de anormal. É muito comum as pessoas fazerem isso em pontes pênseis pra ver o balanço da estrutura”, salientou.

O próximo passo das investigações é seguir com a coleta de depoimentos de vítimas e testemunhas. A Polícia Civil aguarda também a apresentação de documentos solicitados para os municípios de Passo de Torres e Torres.

Posicionamento das prefeituras

A reportagem entrou em contato com as assessorias de imprensa dos municípios envolvidos no caso para saber a versão dos municípios sobre as acusações de falta de manutenção na estrutura.

A Prefeitura de Passo de Torres alegou que “aguarda o resultado dos relatórios do Instituto-Geral de Perícias (IGP) e da Polícia Científica” para uma nova manifestação. A Prefeitura de Torres afirmou que também aguarda o posicionamento oficial dos órgãos de investigação para se manifestar.

Com informações do Engeplus

TubaNews

As notícias de Tubarão e região sempre ao seu alcance.

(48) 99167-0677 | redacao@tubanews.com.br

TubaNews © Todos os direitos reservados.
Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Ok, entendi!