A medida que deverá ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nas próximas semanas
O governo federal estuda aumentar a quantidade de etanol misturada à gasolina, e a mudança pode impactar diretamente o bolso dos motoristas brasileiros. A proposta anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, prevê elevar a mistura obrigatória dos atuais 30% para até 32%, medida que deverá ser analisada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) nas próximas semanas.
O tema foi discutido em uma reunião no Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e representantes do setor de biocombustíveis. Segundo o governo, a ampliação da mistura faz parte da estratégia para reduzir a dependência de gasolina importada, fortalecer a produção nacional de combustíveis renováveis e diminuir a emissão de gases poluentes. A expectativa é que o país deixe de importar cerca de 450 milhões de litros de gasolina por ano.
Representantes da indústria afirmam que a mudança também pode ajudar a conter os preços dos combustíveis. O argumento é que o etanol continua sendo mais barato do que a gasolina, o que contribuiria para reduzir o custo final ao consumidor. O setor destaca ainda que a medida já foi testada tecnicamente durante os estudos que antecederam o aumento da mistura para 30%, implementado em 2025, sem registrar problemas de desempenho nos veículos.
Além dos possíveis reflexos no preço das bombas, a proposta é vista como um impulso para o agronegócio e para a cadeia produtiva da bioenergia. A expectativa é de aumento na produção de etanol nos próximos anos, com geração de empregos, expansão das áreas de cultivo e fortalecimento de uma matriz energética considerada mais limpa. Caso aprovada, a nova composição passará a fazer parte da política nacional de combustíveis renováveis.