Os ataques ao sistema eletrônico lideram o ranking da desinformação eleitoral
As urnas eletrônicas completaram 30 anos nesta semana em meio a uma onda crescente de desinformação sobre o sistema eleitoral brasileiro. Um levantamento do Projeto Confia, iniciativa ligada ao Pacto pela Democracia, aponta que mais de 45% das fake news compartilhadas nos últimos ciclos eleitorais tinham como principal alvo justamente o funcionamento das urnas eletrônicas. As mensagens falsas incluem teorias sobre supostas fraudes, manipulação de votos e até boatos envolvendo falhas nas teclas e no botão “confirma”.
Segundo a pesquisa, os ataques ao sistema eletrônico lideram o ranking da desinformação eleitoral, seguidos por conteúdos contra o Supremo Tribunal Federal e outras autoridades, além de publicações falsas sobre apuração dos votos e regras eleitorais. Entre as notícias falsas mais disseminadas estão alegações de que a urna “completaria automaticamente” os números digitados pelo eleitor ou que haveria atraso proposital na confirmação do voto. O estudo analisou mais de 3 mil conteúdos publicados durante as eleições de 2022 e 2024.
Para Helena Salvador, coordenadora do Projeto Confia, as fake news se aproveitam da falta de conhecimento técnico da população sobre o sistema eleitoral. Ela explica que muitos eleitores só entram em contato com a urna a cada dois anos, o que facilita a circulação de boatos e teorias conspiratórias nas redes sociais. Apesar disso, uma pesquisa da Quaest divulgada neste ano mostra que 53% dos brasileiros ainda afirmam confiar nas urnas eletrônicas, ferramenta utilizada no país desde 1996 e considerada peça central das eleições brasileiras.