O objetivo é controlar a reação exagerada do sistema imunológico e reduzir a inflamação causada pelas células de defesa
Pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Paraná estão desenvolvendo uma terapia inovadora que pode mudar a vida de pacientes que enfrentam uma das complicações mais graves após o transplante de medula óssea. A chamada doença do enxerto contra o hospedeiro (DECH) acontece quando as células transplantadas passam a atacar o próprio organismo do paciente, provocando sintomas severos e, em muitos casos, levando à morte.
A nova terapia, batizada de MesenCell, utiliza células-tronco mesenquimais retiradas da medula óssea de doadores. O objetivo é controlar a reação exagerada do sistema imunológico e reduzir a inflamação causada pelas células de defesa. Atualmente, o tratamento mais comum é feito com corticosteroides, mas muitos pacientes não respondem bem aos medicamentos tradicionais ou sofrem efeitos colaterais graves devido ao uso prolongado.
Os primeiros resultados animaram os pesquisadores. Em um estudo-piloto com pacientes que apresentavam a forma crônica da doença, metade teve remissão completa dos sintomas. Os testes também mostraram melhora significativa em complicações gastrointestinais e reversão de casos graves de endurecimento da pele, condição que pode comprometer os movimentos e a qualidade de vida dos pacientes.
A nova fase da pesquisa começa em setembro e envolverá centros de referência do Paraná, incluindo o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, o Hospital Erasto Gaertner e o Hospital Nossa Senhora das Graças. Os pesquisadores esperam que, no futuro, a terapia possa ser produzida em larga escala e se torne uma alternativa acessível para pacientes que hoje têm poucas opções de tratamento.