A expectativa é de que o El Niño ganhe força ao longo do segundo semestre de 2026, com os efeitos mais significativos concentrados entre a primavera e o verão
A confirmação do retorno do El Niño acendeu o sinal de alerta em Santa Catarina. O fenômeno climático foi oficialmente reconhecido nesta quinta-feira (11) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), após a constatação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial. As projeções indicam que o evento pode atingir intensidade muito forte nos próximos meses, com potencial para figurar entre os mais intensos registrados desde 1950.
Segundo as previsões, há 63% de probabilidade de o El Niño alcançar níveis extremos entre novembro e janeiro, período em que as temperaturas do oceano podem superar em mais de 2°C a média histórica. Embora os reflexos ainda não sejam sentidos de forma clara na atmosfera do Sul do Brasil, especialistas alertam que o cenário favorece o aumento das chuvas e, consequentemente, eleva o risco de enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra.
O histórico recente reforça a preocupação. Durante o último episódio do fenômeno, em 2023, Santa Catarina enfrentou uma sequência de eventos climáticos severos que provocaram transtornos em diversas regiões. Já em 2024, os efeitos do excesso de chuva contribuíram para a maior tragédia climática da história do Rio Grande do Sul, mostrando que os impactos podem se prolongar mesmo após o pico do aquecimento no Pacífico.
Diante das previsões, o governo catarinense intensificou as medidas preventivas e decretou estado de alerta climático ainda em maio. O objetivo é acelerar ações de resposta, permitir a mobilização antecipada de equipes e reforçar a estrutura em áreas consideradas mais vulneráveis. Também estão em andamento obras de desassoreamento de rios, manutenção de barragens e preparação dos municípios para possíveis ocorrências relacionadas ao aumento das chuvas.
A expectativa é de que o El Niño ganhe força ao longo do segundo semestre de 2026, com os efeitos mais significativos concentrados entre a primavera e o verão. Enquanto os meteorologistas acompanham a evolução do fenômeno, a recomendação é que a população fique atenta aos avisos oficiais e aos alertas emitidos pelos órgãos de monitoramento, já que os próximos meses podem trazer um cenário de maior instabilidade climática para Santa Catarina.