Famílias de crianças que morreram ou ficaram com sequelas após atendimento na unidade materno-infantil de Criciúma protestaram nesta quinta (5); instituto que administra o espaço se manifestou em nota
Familiares estiveram em frente à unidade hospitalar na manhã desta quinta-feira (5). – Foto: Geórgia Gava/ND Em busca de respostas, pais de crianças que morreram ou ficaram com sequelas após internações no Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, em Criciúma, realizaram um protesto na manhã desta quinta-feira (5), em frente à instituição, no bairro Operária Nova. O Conselho Municipal de Saúde também esteve presente.
As famílias e o conselho cobram posição do Ideas (Instituto de Desenvolvimento, Ensino e Assistência à Saúde), que tem contrato com o Governo do Estado e administra o Hospital Materno-Infantil Santa Catarina. Vanusa Biff, uma das mães que perdeu o filho durante atendimento no hospital, relata negligência e falta de humanização na unidade.
“Estão acontecendo muitas coisas erradas no hospital. Aproveitamos para denunciar porque, até então, ninguém fez isso. Mortes poderiam ter sido evitadas. A morte do meu filho é uma das que poderiam ter sido evitadas”, frisa a mãe, que é costureira em Criciúma.
O filho de Vanusa, de um ano, deu entrada no Materno-Infantil com um caso de bronquiolite em abril deste ano. O quadro de saúde da criança piorou conforme os dias de internação avançaram. “Foram 58 dias na UTI. Deu parada respiratória e eles entubavam e extubavam. Fui no Ministério Público e denunciei”, relembra a mãe.

“Deixaram o dedo do meu filho apodrecer, as partes íntimas dele ficaram em carne viva. O pé do menino ficou roxo por causa do oxímetro”, conta Vanusa. “A gente podia vê-lo durante uma hora de manhã, uma à tarde e uma à noite. Foi uma luta”, acrescenta com a voz embargada.
A mãe conta ainda que um médico da unidade liberou os pais para que ficassem em período integral na UTI com a criança. “Meu marido pediu férias e eu parei de trabalhar para ficar em função”, completa.
Quando houve melhora do quadro, a criança deixou a UTI e foi transferida para a pediatria do Hospital Materno-Infantil Santa Catarina, mas só podia consumir leite em sua dieta. Durante um dos aleitamentos, a criança acabou broncoaspirando o líquido.
“Ele pediu socorro, agarrou no pescoço do meu esposo e não tinha ninguém para socorrer. Eu estava dentro do hospital, o local menos provável que isso poderia acontecer. A equipe veio, mas não teve preparo. Até o médico chegar, fizeram manobra de engasgo, mas ele broncoaspirou e foi direto para o pulmão”, lamenta a mãe.