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COLUNISTAS

Amor sem sexo é amizade (já dizia Rita Lee)

18/02/2026 14h26 | Atualizada em 18/02/2026 14h27 | Por: Sibéle Cristina

Há frases que são como tapas com batom vermelho: doem, mas deixam marca bonita. Rita Lee nunca teve medo de falar o que muita gente sussurra no travesseiro. “Amor sem sexo é amizade.” E pronto. Está dito.

A gente romantiza o amor como se ele fosse feito só de mãos dadas no pôr do sol e declarações no Instagram. Mas amor de verdade também tem pele. Tem cheiro. Tem pressa. Tem urgência de toque. Amor que não pulsa no corpo começa a morar só na cabeça — e a cabeça é território perigoso para quem quer eternidade.

Não estou falando de performance. Nem de obrigação. Nem dessa cobrança estética que transforma o quarto em palco. Falo de desejo. Desejo é linguagem. É conversa sem palavras. É quando o olhar termina a frase que a boca começou.

Sem sexo, o amor pode até sobreviver — mas muda de nome. Vira parceria. Companhia. Sociedade afetiva. O que é lindo, aliás. Amizade é das formas mais nobres de amar. Mas não é a mesma coisa.

Há casais que se tornam excelentes colegas de apartamento. Administram contas, filhos, agenda, compromissos sociais. Funcionam como empresa bem estruturada. Mas já não se devoram. Já não se procuram no escuro. Já não se escolhem com o corpo.

E o corpo precisa ser escolhido.

O sexo não é tudo. Mas a ausência dele diz muito. Diz sobre distâncias não conversadas. Sobre mágoas acumuladas. Sobre silêncios que viraram muralhas. Às vezes, o desejo não morreu — está soterrado de ressentimento.

E há também aqueles amores que amadurecem e descobrem novas formas de erotismo. Menos explosão, mais profundidade. Menos ansiedade, mais presença. Porque sexo não é só juventude. É vitalidade emocional.

Talvez a grande pergunta não seja se amor sem sexo é amizade. Talvez seja: o que aconteceu com o fogo? Ele virou brasa ou virou cinza?

Rita Lee era ousada, mas era lúcida. Amor quer corpo. Quer entrega. Quer esse encontro onde dois deixam de ser indivíduos por alguns instantes e se tornam respiração compartilhada.

Se não há desejo, talvez haja carinho. Se não há tesão, talvez haja respeito. E tudo isso importa.

Mas amor… amor mesmo… ele gosta de arrepio.

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