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COLUNISTAS

Quando a estética custa caro demais

02/06/2026 17h00 | Atualizada em 02/06/2026 14h06 | Por: Luiz Otávio

Nos últimos anos, os esteroides anabolizantes deixaram de ser algo restrito ao fisiculturismo profissional. Hoje, estão presentes em academias comuns, entre adolescentes, influenciadores e pessoas que nunca pisaram em um palco de competição. O problema é que muita gente ainda trata hormônio como suplemento.

Não é. Esteroides alteram profundamente a fisiologia do corpo. Eles aumentam síntese proteica, aceleram recuperação e potencializam ganhos musculares. Isso é fato. O problema é o preço biológico que muitas vezes acompanha esses resultados.

Entre os principais riscos estão: Hipertrofia cardíaca patológica; Aumento da pressão arterial; Alterações severas no colesterol; Maior risco de arritmias; Infartos e AVCs; Supressão hormonal; Infertilidade; Problemas hepáticos e renais; e Dependência psicológica da própria imagem. 

E aqui existe um detalhe que pouca gente gosta de discutir: o físico que muitos admiram nas redes sociais frequentemente não representa saúde. Músculo não é exame de sangue. Abdômen definido não é eletrocardiograma. Veias aparentes não são garantia de um coração saudável.

O caso recente do fisiculturista e influenciador fitness Gabriel Ganley trouxe esse debate de volta de forma brutal. Aos 22 anos, ele foi encontrado morto em São Paulo. Inicialmente, o caso foi tratado como morte suspeita. Posteriormente, laudos preliminares apontaram uma cardiomiopatia hipertrófica, uma condição cardíaca que pode ser agravada pelo uso de anabolizantes. A investigação ainda segue analisando todos os fatores envolvidos.  

É importante ter responsabilidade ao falar sobre isso. Ninguém pode afirmar categoricamente que os esteroides foram a única causa da morte. Seria tecnicamente incorreto. Mas também seria ingenuidade ignorar o impacto que o uso de hormônios, especialmente em protocolos agressivos, pode exercer sobre o sistema cardiovascular.  

O que mais chama atenção não é apenas a tragédia em si. É a idade. Vinte e dois anos. Uma idade em que a maioria das pessoas está começando a construir a vida. E talvez seja justamente aí que está a reflexão mais importante. Vivemos uma época em que muitos jovens estão dispostos a acelerar qualquer processo. Ganhar músculo mais rápido. Secar mais rápido. Crescer mais rápido. Aparecer mais rápido.

Mas o corpo humano não negocia com pressa. Ele cobra. Às vezes em exames alterados. Às vezes em sintomas. E às vezes tarde demais. Treino, alimentação e disciplina continuam sendo lentos. Continuam exigindo anos. Continuam sendo menos atraentes do que uma aplicação que promete resultados em poucas semanas.

Mas existe uma diferença fundamental: O caminho lento costuma permitir que você chegue ao resultado e permaneça vivo para aproveitá-lo. O caso de Ganley não deveria servir para julgamentos ou caça às bruxas. Deveria servir como alerta. Porque a verdadeira força nunca foi sobre quem consegue construir o maior físico. A verdadeira força é conseguir construir um corpo que continue funcionando daqui a 10, 20 ou 30 anos.

Saúde não é o que aparece na foto. Saúde é aquilo que continua existindo quando a câmera desliga.

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Luiz Otávio

Exercícios físicos

Com anos de experiência transformando vidas, Luiz Otávio é personal trainer e instrutor na Academia AD3. Apaixonado por performance e bem-estar, também se destaca como atleta de natação do Clube 29. Aqui, ele vai compartilhar dicas valiosas para melhorar seus treinos, sua saúde e sua qualidade de vida. Fique ligado!

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